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05/09/2023 - 16h17

Ensino como cultura organizacional – Por que é tão importante compartilhar conhecimento no ambiente de trabalho?

Diretora do Instituto Ser+ comenta e dá orientações sobre como promover o compartilhamento

 

 

 

Por Wandreza Bayona*

 

O ensino e compartilhamento de conhecimento dentro do ambiente de trabalho é uma questão primordial para o desenvolvimento de novos talentos e aperfeiçoamento de colaboradores mais maduros. No entanto, essa etapa que deveria ser “natural” dentro do processo de adaptação e evolução de profissionais no mercado de trabalho, muitas vezes, não acontece.

 

É comum que a falta de tempo ou de didática dos colaboradores e empresa justifiquem a falta de um treinamento e ensino contínuo. Mas o que não é levado em consideração é que essa mentalidade e formato podem prejudicar todos. Por quê?

 

Quando recebemos um novo talento e partilhamos o nosso conhecimento com ele para além do técnico, promovemos, desde o início, o seu senso de colaboração e geramos um ambiente mais cooperativo e empático, onde todos ensinam e aprendem. E, no final das contas, todos ganham também, afinal, uma equipe unida cresce melhor e mais rápido.

 

Além disso, compartilhar o conhecimento pode auxiliar a preencher lacunas na equipe em casos de ausências temporárias ou permanentes, além de ser um plano de ação eficiente para momentos de alta demanda.

 

Mas, sabemos que tudo isso só pode acontecer, quando há uma cultura organizacional de ensino por trás e não apenas uma atitude isolada, partindo da proatividade de cada colaborador. E como tornar o ensino uma cultura organizacional na minha empresa?

 

Investir na capacitação é sempre a melhor estratégia e é preciso aprender a ensinar. Nem todos os colaboradores e líderes de equipes possuem a melhor didática para o ensino. Muitas vezes, o líder é excelente no que faz, mas ele não consegue transmitir o seu conhecimento de uma maneira clara e humanizada, dessa forma, ele prejudica o aprendizado e atrapalha a sua própria equipe. Por isso, contar com apoio de empresas parceiras e organizações que disponham de treinamentos e cursos de aperfeiçoamento e capacitação pode ser uma boa estratégia.

 

Em seguida, criar um processo de integração mais completo e efetivo, em que o novo colaborador possa "seguir" alguém mais experiente ou ter algum mentor, é essencial. Não precisa ser, necessariamente, um líder direto, mas alguém que ajude a criar um ambiente seguro, onde o novo talento possa verbalizar suas opiniões, dúvidas, fragilidades e críticas construtivas.

 

Ouvir mais quem está aprendendo ou quem já passou pelo processo também pode ajudar a liderança a entender qual será a melhor estratégia de ensino. Ainda, é preciso pensar em quem ensina, afinal, é preciso ter tempo e ferramentas adequadas para ensinar. Muitas vezes, o colaborador está sobrecarregado e ajudar ou ensinar um colega torna-se mais um fator de estresse e, consequentemente, faz com que ele não consiga dar a devida atenção a esse processo, o que acaba prejudicando o seu trabalho e o desenvolvimento do seu colega. Um saldo negativo para todos!

 

Valorizar quem ensina, compartilha e colabora também é uma grande ferramenta de impulsionar esse movimento até que se torne um processo natural, gerando equipes mais produtivas e ambientes de trabalho mais sadios.

 

Além disso, envolver as lideranças em todo o processo é crucial, para que a cultura do acolhimento e ensino contínuo seja disseminada pela empresa. Afinal, se um líder não ensina, os seus subordinados também não se sentirão motivados a ensinar.

 

Por fim, criar programas de capacitação periódicos é fundamental. Treinamentos, palestras, workshops e momentos de trocas entre equipes, gestão, setores e funcionários devem ser feitos periodicamente para manter o espírito de equipe, colaboração e aprendizado sempre vivo.

 

 

 

*Wandreza Bayona é diretora executiva do Instituto Ser+, voltado à criação e ao desenvolvimento de oportunidades para a juventude

 

 

Foto: Divulgação/Instituto Ser+