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15/12/2022 - 11h16 Artigos

Antifragilidade deve ser alvo para as lideranças

Líderes precisam se adaptar rapidamente para enfrentar tempos difíceis, diz especialista


 

 

 

 

Por Juliana Dorigo*

 

 

De acordo com o dicionário, antifragilidade é a capacidade natural para se recuperar de uma situação adversa, problemática. Uma tendência natural para se recuperar ou superar com facilidade os problemas que aparecem. Completaria ainda dizendo que esse deveria ser um atributo de todos que ocupam o cargo de líder, principalmente em tempos de crise. Afinal, nem sempre sabemos quando uma fase corporativa difícil vai chegar, mas ela sempre vem, seja uma crise financeira, uma demissão em massa, uma invasão de hacker, entre tantas outras. Muitas vezes, é previsível e trabalhamos com foco e estratégia para que não aconteça, entretanto, também há aquelas que não esperamos; simplesmente chegam feito um tsunami, tiram tudo do lugar e trazem inúmeros desafios.

 

Vimos isso acontecer recentemente com a pandemia. Ela acometeu todas as esferas da nossa sociedade, mudou o mundo do trabalho e nos forçou a rever uma série de questões em todas as companhias, seja ela pequena, média ou de grande porte. Nesse cenário devastador, tivemos que acelerar a transformação digital dentro das empresas, mudar a maneira de lidar com as equipes e, principalmente, reinventar o jeito de liderar.

 

As lideranças precisam se adaptar rápido a tudo isso, ter novas competências, habilidade e atitudes que os tempos difíceis exigem. Não é fácil lidar com uma crise, mas são esses profissionais que conseguem mudar o rumo da companhia de maneira positiva se souberem lidar com os novos desafios, uma vez que, para as pessoas obterem resultados satisfatórios, é necessário alguém que organize, apoie e coordene.

 

Por isso, é importante que os líderes se reinventem, sigam a cultura da empresa e ajudem os seus times para alcançarem as metas estipuladas pela empresa, unindo a equipe, identificando e distribuindo as tarefas do dia a dia e exercendo seu lado humano. Além disso, é necessário saber trabalhar com o emocional de cada colaborador, entrar em contato com a vulnerabilidade e acima de tudo saber ensinar e, também, aprender.

 

Além disso, os líderes precisam ser transparentes com suas equipes, oferecer maior espaço para o diálogo e dar feedbacks com maior frequência. O estudo da Vittude aponta que 75% dos liderados acham importante o líder que sabe ouvir e oferece espaço para críticas e sugestões, contra 31%. Em “saber tomar decisões rápidas”, 62% dos liderados consideram essa ação relevante, contra apenas 19% dos líderes.

 

Um líder que, de fato, lidera

O autoconhecimento é uma bússola para que o líder desenvolva seu papel com outras pessoas de maneira eficaz. Como posso liderar outros, se não conheço a mim mesmo? Como desenvolver um colaborador e exigir pontos de melhorias, se não começar por mim? E como entender os medos da minha equipe diante da crise, se eu não expor os meus?

 

Olhar para dentro e fazer uma reflexão sobre o momento de crise que a empresa está vivendo e como eu, líder, posso ser uma peça chave para sair de tudo isso são fundamentais para o desenvolvimento de habilidade e estratégias. Além disso, se reconhecer com uma pessoa com sentimentos humanos pode auxiliar, principalmente, no emocional dos seus liderados.

 

O mesmo estudo acima mostra que apenas 6% dos líderes consideram importante mostrar-se vulnerável e humano e 11% avaliam a importância de serem capazes de fornecer feedbacks positivos. Na pesquisa, 56% dos liderados valorizam a habilidade de seus líderes em ter paciência para ensinar, contra apenas 19%.

 

Quanto à parte emocional dos liderados, dados de uma pesquisa da Amcham Brasil, realizada com 199 lideranças, aponta também que 49%, têm preocupação alta e para 43%, média. Apenas 8% das lideranças têm um nível baixo de preocupação com a saúde mental de seus colaboradores. Para esses executivos, a preocupação com a estabilidade emocional se estende para todos os níveis da organização (45%).

 

Quando questionados sobre o preparo das lideranças para atuarem como redutores de ansiedade das organizações e indivíduos, a maioria dos gestores apontou que as lideranças estão parcialmente aptas para lidar com esse desafio (62%). Cerca de 20% acreditam que suas lideranças não estão, enquanto 17% responderam que suas lideranças estavam plenamente prontas.

 

As pesquisas acendem o sinal de alerta sobre a necessidade de atualizar os líderes dentro das companhias. Trazer formação, workshop e atualização deixam as lideranças muito mais fortes para lidarem com todas as adversidades que possam acontecer. De acordo com levantamento do Great Place to Work, a capacitação das lideranças deve ser o principal foco para garantir a construção de ambientes de trabalho emocionalmente saudáveis e para alcançar resultados estratégicos.

 

Precisamos mudar esse jogo se quisermos líderes que saibam lidar com qualquer tipo de crise. O momento que vivemos nos convida para uma transformação, sua empresa está pronta para essas mudanças?

 

 

*Juliana Dorigo é diretora de RH e ADM da Paschoalotto

 

Foto: Divulgação/Paschoalotto

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