Vício em jogos afasta trabalhadores por até 89 dias consecutivos, segundo levantamento da VR
Dados de atestados médicos apontam 976 dias de afastamento em apenas 37 casos
O impacto das apostas na vida dos profissionais e das empresas vem ganhando maior proporção a cada ano, como mostra um levantamento da VR. De acordo com dados extraídos de atestados médicos, entre 2022 e 2025, os transtornos relacionados a jogos e apostas acumularam 976 dias de afastamento do emprego em apenas 37 casos registrados, com episódios que chegam a 89 dias consecutivos de ausência.
Os dados expõem um avanço na frequência das ocorrências, que mais que dobraram entre 2024 e 2025, e mostram que trabalhadores acometidos por transtornos relacionados a jogos e apostas permanecem afastados por períodos cada vez mais longos, sugerindo, também, uma maior complexidade dos casos.
"Os números mostram um avanço relevante na duração média desses afastamentos, o que reforça a importância de as empresas acompanharem com mais atenção os impactos que determinadas dinâmicas sociais e comportamentais podem gerar na saúde e na rotina dos trabalhadores. O mais importante, nesse contexto, é usar os dados para ampliar a capacidade de prevenção, acolhimento e tomada de decisão dentro das organizações", afirma Willian Gil, diretor-executivo de Pessoas, Jurídico e Governança da VR.
A maior parte das ocorrências está classificada sob o CID F63.0, relacionado ao jogo patológico e apostas. Um caso adicional, enquadrado como transtornos relacionados a games (CID 6C50.1), responde por nove dias de afastamento e já aparece formalmente registrado sob a classificação mais recente da CID-11, utilizada para transtornos relacionados a jogos digitais.
A evolução dos registros mostra que, em 2022, havia apenas um caso, com um dia de afastamento. Em 2023, os números saltaram para cinco ocorrências e 153 dias ausentes, média de 30,6 dias por caso. Em 2024, foram registrados dez casos e 202 dias de afastamento, já em 2025, o cenário se agravou de forma expressiva: 21 casos e 620 dias de afastamento, média de 29,5 dias por ocorrência registrada.
Além do maior volume de casos, os dias de ausência praticamente triplicaram de 2024 para 2025, passando de 202 para 620 em 2025.
A distribuição por tempo de afastamento mostra a concentração dos dias ausentes em casos de longa duração:

Foto: jackpress/Shutterstock








