Inclusão de refugiados no mercado do trabalho gera mais benefícios do que perdas para o país
Pesquisa mostra maior, arrecadação, aumento de produtividade e impacto reduzido sobre os serviços públicos
Garantir acesso ao mercado formal de trabalho para pessoas refugiadas produz benefícios que vão além da proteção humanitária. Um estudo inédito no Brasil demonstra que a inclusão econômica dessa população contribui para o crescimento econômico, amplia a arrecadação tributária e fortalece o desenvolvimento dos municípios onde vivem.
Entre as principais conclusões, a pesquisa, conduzida pelo Cedeplar/UFMG (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais), com apoio da Acnur (Agência da ONU para Refugiados), e pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, mostra que trabalhadores refugiados alcançam produtividade equivalente à de trabalhadores brasileiros e faltam cerca de 16% menos. Considerando o impacto econômico, o trabalho de pessoas refugiadas representou mais de R$ 17 bilhões em tributos e contribuições previdenciárias, enquanto os custos associados à assistência social, educação e saúde permaneceram proporcionalmente baixos nos municípios estudados.
"Os resultados mostram que ampliar o acesso de pessoas refugiadas ao mercado de trabalho significa transformar acolhida em desenvolvimento. Quando essas pessoas encontram oportunidades para reconstruir suas vidas com autonomia, elas passam a contribuir para o crescimento econômico, fortalecem a arrecadação e ajudam a impulsionar o desenvolvimento das comunidades onde vivem. As evidências reforçam que promover inclusão econômica é uma agenda estratégica para o Brasil", comentou Paulo Sérgio de Almeida, oficial de meios de vida e inclusão econômica do Acnur no Brasil.
A pesquisa reuniu dados de diversas fontes oficiais para avaliar o estudo, como Rais, Caged e OBMigra, entre outras. Entre os principais indicadores, o estudo aponta que mais de 275 mil trabalhadores refugiados estavam inseridos no mercado formal em 2024 e mostra que gestores avaliam o desempenho desses profissionais como semelhante ou superior ao de trabalhadores brasileiros em funções equivalentes. Também foi identificado que práticas como apoio linguístico, integração estruturada e oportunidades de desenvolvimento profissional favorecem sua permanência e crescimento nas empresas.
Nesse sentido, os dados apontam que a inclusão de refugiados deve ser vista mais como uma decisão estratégica do que como uma pauta de compromisso social. “O desafio agora é ampliar o número de empresas que transformam esse conhecimento em políticas estruturadas de contratação, desenvolvimento e retenção de talentos refugiados, fortalecendo um mercado de trabalho mais diverso e competitivo", afirma Gabriela Rozman, gerente de Educação e Inclusão Produtiva do Pacto Global da ONU - Rede Brasil.
A pesquisa conclui que a inclusão econômica de pessoas refugiadas produz benefícios compartilhados para trabalhadores, empresas, governos e comunidades de acolhida. Ao oferecer evidências inéditas sobre os impactos econômicos e sociais dessa agenda, o estudo busca contribuir para a formulação de políticas públicas e ampliar o engajamento do setor privado na construção de soluções que promovam desenvolvimento sustentável e inclusão socioeconômica.
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