Quando as empresas crescem, mas a gestão continua pequena
Consultora aponta falhas em liderança, sucessão e cultura organizacional entre os principais entraves
Em um cenário de aceleração tecnológica, novas dinâmicas de trabalho e aumento da competitividade, empresas brasileiras que vivem ciclos de expansão enfrentam um desafio que vai além do crescimento de receita. Elas têm encontrado dificuldades para sustentar sua evolução devido a fragilidades internas na liderança, gestão, sucessão e cultura organizacional. E, mesmo diante de oportunidades de mercado e expansão das operações, gargalos estruturais podem comprometer a produtividade, a retenção de talentos e a geração de valor no longo prazo.
Esse foi o diagnóstico da economista Carine Leal Fraga, CEO da Miraê Consultoria. Segundo ela, o problema costuma surgir quando o crescimento do negócio acontece em velocidade superior à capacidade de adaptação da gestão. “Muitas empresas acreditam que seus desafios estão relacionados às pessoas, quando, na realidade, a origem dos problemas está na falta de clareza de papéis, alinhamento estratégico, processos de decisão e desenvolvimento de lideranças. À medida que a empresa cresce, torna-se indispensável fortalecer a estrutura organizacional para que o crescimento seja sustentável e não gere fragilidades internas”, afirma.
O diagnóstico também aponta que a falta de planejamento sucessório e de desenvolvimento estruturado de lideranças e a centralização excessiva das decisões estão entre os fatores que mais dificultam a consolidação do crescimento empresarial. Essas fragilidades tendem a se intensificar conforme as operações se expandem, aumentando a complexidade da gestão e exigindo novos modelos de governança e tomada de decisão.
Para Carine, o crescimento sustentável depende de um trabalho consistente de fortalecimento organizacional: quanto maior a empresa se torna, maior é a necessidade de investir em cultura, governança, liderança e processos. “O crescimento não elimina problemas estruturais; ele os amplia. Organizações que conseguem alinhar estratégia, pessoas e gestão criam condições mais sólidas para atravessar mudanças de mercado, preservar conhecimento e construir valor de forma duradoura”, destaca.
Em um contexto de transformação acelerada dos modelos de negócio, impulsionada pela tecnologia e pelas mudanças nas expectativas dos profissionais, a capacidade de estruturar lideranças, fortalecer a cultura organizacional e preparar a sucessão deixa de ser uma pauta de recursos humanos para se tornar uma questão estratégica. Para empresas que desejam transformar crescimento em longevidade, investir na evolução da gestão é tão importante quanto conquistar novos mercados.
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