Menopausa ainda é assunto negligenciado pelas empresas
Silêncio corporativo pode comprometer a retenção e a produtividade ou até excluir talentos seniores do trabalho
A menopausa deixou de ser apenas um tema de saúde para se tornar um desafio de gestão de pessoas. Pesquisa da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, aponta que cerca de 11% das mulheres empregadas já deixaram o trabalho em razão dos sintomas dessa fase. Entre 2.300 brasileiras ouvidas em um levantamento global encomendado pela Astellas Pharma, 7% deixaram suas carreiras devido aos sintomas e 47% afirmaram que a menopausa impactou a vida profissional.
O alerta tende a ganhar importância à medida que a população envelhece e as carreiras se tornam mais longas. Ainda assim, o tema permanece excluído das estratégias de saúde, diversidade e retenção de talentos.
"O estigma social e no local de trabalho em torno da menopausa não deve ser ignorado e pode ser prejudicial ao bem-estar das pessoas que vivenciam essa fase menopausa", aponta Ana Borges, People partner da Astellas no Brasil. E isso não é apenas uma questão pessoal, é uma barreira significativa para a produtividade, retenção de talentos e bem-estar geral no local de trabalho. “As organizações têm a responsabilidade de mudar a narrativa em torno da menopausa e construir ambientes onde as pessoas se sintam apoiadas e capacitadas para falar sobre suas experiências”, afirma a profissional.
Andrea Tenuta, head de Novos Negócios da Maturi, chama a atenção para o fato de a menopausa acontecer justamente em uma fase em que muitas mulheres estão no auge da carreira, ocupando posições estratégicas, liderando equipes e acumulando conhecimento. “Quando as empresas não olham para essa realidade, podem perder profissionais altamente qualificadas, além de experiência e inovação", afirma.
Ela lembra, também, que, embora se trate de um momento natural da vida, muitas mulheres evitam falar do assunto no ambiente de trabalho por receio de serem vistas como menos produtivas ou menos preparadas para assumir novos desafios.
PRÁTICAS EM CURSO
Mundialmente, alguns países já se destacam pelas iniciativas para acolher profissionais nessa fase da vida. O Reino Unido, uma das principais referências no tema, publicou, em 2024, orientações para empresas apoiarem mulheres durante a menopausa. Austrália, Canadá, Irlanda e Nova Zelândia também vêm incorporando o assunto às estratégias de saúde e bem-estar corporativo. Na iniciativa privada, , empresas como a Astellas Pharma têm investido em ações como capacitação de lideranças, programas de conscientização, flexibilização de rotinas e promoção de ambientes mais abertos ao diálogo. Em 2024, a companhia lançou a iniciativa global Compromisso para Defender um Local de Trabalho Inclusivo para a Menopausa, a fim de reduzir o estigma sobre o tema e fortalecer uma cultura de compreensão, inclusão e apoio.
No Brasil, com o objetivo de que as profissionais administrem os sintomas sem prejuízo à performance ou à assiduidade, a Astellas adotou uma política específica para a menopausa. O benefício garante até cinco dias de licença remunerada por ano às profissionais que comprovarem estar no climatério ou na menopausa por meio de declaração médica. A licença pode ser utilizada de forma contínua ou intermitente, conforme a necessidade e em alinhamento com a gestão.
As organizações, lembra Andrea, da Maturi, já avançaram em discussões sobre saúde mental, parentalidade, diversidade e inclusão. “Chegou a hora de a menopausa fazer parte dessa agenda. É uma pauta humana, mas também estratégica para os negócios", finaliza.
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