Escassez de talentos e avanço da IA exigem redesenho do trabalho, aponta estudo da Mercer
Para mais de 50% profissionais de RH ouvidos, a tendência é de fusão da área com a de Tecnologia da Informação
A escassez de talentos, o avanço da inteligência artificial e o desalinhamento entre lideranças, Recursos Humanos e colaboradores estão entre os principais desafios que as empresas precisarão enfrentar para sustentar o crescimento em 2026, de acordo com o 13º Relatório Global de Tendências de Talentos da Mercer, que ouviu cerca de 12 mil executivos, líderes de RH, investidores e trabalhadores em todo o mundo.
No levantamento, 54% dos executivos sêniores apontam a falta de mão de obra qualificada como o principal desafio relacionado à força de trabalho e 59% dos líderes de RH afirmam que atrair profissionais com competências digitais é hoje sua maior dificuldade.
Diante disso, 98% das empresas planejam promover mudanças significativas em sua estrutura organizacional nos próximos dois anos. A pesquisa mostra ainda que 60% dos executivos esperam realocar ou requalificar entre 11% e 20% de seus profissionais em função da IA, e o mesmo percentual de líderes acredita que a tecnologia também resultará em redução do quadro de funcionários nesse período.
Para Pat Tomlinson, presidente e CEO da Mercer, a IA será um importante vetor de crescimento, mas somente produzirá resultados se vier acompanhada de uma transformação na forma como o trabalho é organizado. "Embora os executivos vejam a inteligência artificial como a chave para um desempenho exponencial, o crescimento continuará limitado se o trabalho não for redesenhado intencionalmente e apoiado por modelos operacionais habilitados por IA", afirma.
Desalinhamento entre liderança, RH e colaboradores
Além da transformação tecnológica, o estudo identifica um "triplo desalinhamento" entre alta liderança, Recursos Humanos e funcionários, considerado um dos principais obstáculos para o desempenho das organizações.
O índice de profissionais que afirmam sentir realização no trabalho caiu de 66%, em 2024, para 44% em 2026. Ao mesmo tempo, o receio de perder o emprego para a inteligência artificial cresceu de 28% para 40% no mesmo período.
A pesquisa mostra ainda que 62% dos colaboradores acreditam que as lideranças subestimam os impactos emocionais da IA, mas apenas 19% das áreas de RH incorporam esse aspecto em suas estratégias de transformação digital.
Outra divergência aparece nas prioridades organizacionais. Enquanto 63% da alta liderança considera essencial redesenhar o trabalho para integrar IA e automação, apenas 46% dos profissionais de RH atribuem a mesma importância ao tema. Esse desalinhamento pode ser responsável por apenas 8% dos executivos seniores considerarem Recursos Humanos uma função estratégica atualmente. Os profissionais de RH concordam que a sua área precisa ser reinventada e mais da metade (56%) prevê uma fusão entre Recursos Humanos e Tecnologia da Informação.
Liderança e experiência do colaborador ganham protagonismo
O relatório aponta que formar líderes preparados para conduzir a transformação digital será uma das prioridades dos próximos anos. Embora 75% das organizações reconheçam a necessidade de acelerar sua digitalização, apenas 30% avaliam possuir alto nível de agilidade digital.
Na visão dos investidores, empresas lideradas por executivos adaptáveis e resilientes tendem a apresentar melhor desempenho em momentos de crise. Para 83% deles, essas competências serão determinantes para o sucesso das organizações.
Ainda, o estudo alerta para a necessidade de fortalecer a experiência do colaborador. Apenas 37% dos profissionais tiveram uma conversa sobre carreira com seus gestores no último ano, e somente 38% afirmam receber feedback frequente sobre seu desempenho e desenvolvimento.
Segundo a Mercer, estratégias de remuneração baseadas em competências, aliadas ao uso de dados e de IA para personalizar a experiência dos colaboradores, podem contribuir para aumentar a retenção de talentos e conectar o desempenho individual aos resultados do negócio.
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