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13/03/2018 - 08h00 Artigos

Unidos – em rede – venceremos!


Por Cláudia Klein*
 
Provérbios como "uma andorinha só não faz verão", "um por todos e todos por um" e "a união faz a força" me acompanham desde pequena e muito provavelmente o mesmo acontece com você. Ouso afirmar que também foram companhia frequente para os nossos pais e para os pais dos nossos pais.
 
Os ditos populares possuem um sentido lógico que há gerações transmitem conhecimentos comuns sobre a vida por meio de expressões simples e diretas. Recorro a eles neste texto com o objetivo de reforçar algo que há décadas já sabemos: quando nos reunimos em grupo para realizar alguma coisa nos tornamos muito mais fortes e o produto gerado se revela muito mais rico. A fim de posicionar o tema no atual contexto, podemos chamar essa prática de colaboração em rede.
 
A palavra "colaborar" tem sua origem no latim, COLABORARE. E significa "trabalhar junto" ou simplesmente "ajudar".
 
Segundo o especialista americano em educação, Tony Wagner, colaboração em rede e liderança influente, juntamente com análise crítica e solução de problemas; agilidade e adaptabilidade; iniciativa e empreendedorismo; comunicação oral e escrita eficaz; e curiosidade e imaginação formam o conjunto de habilidades essenciais que devemos desenvolver com o propósito sermos bem sucedidos no novo contexto de trabalho apresentado.
 
Em um mundo apelidado de V.U.C.A. - um acrônimo em inglês, que o define como volátil, incerto, complexo e ambíguo - a promessa é de que o trabalho mais criativo, humano, produtivo e com significado seja um privilégio de nós, os mortais. E caberá às máquinas e seus algoritmos cuidarem dos mais diversos processos de rotina na indústria e nos serviços.
 
Para transformar promessa em realidade fica evidente a necessidade de repensarmos a forma como nos relacionamos com o trabalho e como, efetivamente, trabalhamos. A colaboração em rede aparece como uma das respostas para este anseio. Uma vez que as mudanças ocorrem em velocidade cada vez mais acelerada, em quantidades crescentes e ficam continuamente mais complexas, há o aumento da demanda por habilidades multidisciplinares.
 
Trabalhar de forma colaborativa oferece inúmeras vantagens aos empregadores e aos funcionários: maior disponibilidade de informações, a presença e a combinação de diferentes conhecimentos, aumento da produtividade, maior respeito à diversidade, amplia perspectivas, aumenta o engajamento das pessoas, oferece mais flexibilidade, agilidade e gera mais soluções inovadoras etc.
 
São tantos os benefícios, por isso as empresas vêm implantando medidas para propiciar um ambiente de trabalho estimulante a colaboração entre seus funcionários (online ou offline) dentro (intraorganizacional) ou fora (interorganizacional) dos muros corporativos. As empresas ampliam suas fronteiras e oferecem a oportunidade de trabalhar de casa ou em jornadas mais flexíveis, por exemplo. 
 
Elas estão criando ambientes literalmente versáteis e funcionais que se moldam à necessidade de cada funcionário e às etapas do trabalho, além de abolir as paredes e salas fechadas, muitas vezes misturando todos os níveis profissionais, inclusive os executivos. A adoção de ferramentas de colaboração é hoje item essencial na agenda corporativa. Sem falar da busca pela redução dos níveis hierárquicos e do fomento de um propósito que funciona como uma verdadeira cola social, dentro e fora da empresa.
 
É de suma importância nutrir um ambiente estimulante a colaboração, mas de nada adianta, se as pessoas não adotarem um mindset colaborativo. Chegamos a uma pergunta cuja resposta exata vale um milhão de dólares: por que as pessoas não trabalham mais em colaboração, se o contexto demanda, os benefícios são muitos e são evidentes?
 
Já vou avisando, minha conta bancária não está mais rica. Não creio que haja uma resposta única e definitiva, porém muitas pessoas têm crenças que não favorecem a adoção desta prática. Há, por exemplo, pessoas que defendem um tempo maior na execução das tarefas, as que associam a prática à falta de coordenação do trabalho, as que acham que eleva o custo, as que têm resistência ao compartilhamento de conhecimento, as que possuem dificuldade com uma eventual distância física e, por último, uma crença bem recorrente: colaboração em rede não é destinada aos tímidos ou aos introvertidos, eles preferem fazer seu trabalho individualmente.
 
Todos nós temos preocupações genuínas sobre como desfrutar dos benefícios da colaboração e estas precisam ser ouvidas e respeitadas, entretanto também precisam ser desafiadas. Algumas sugestões de por onde começar:
Perguntar-se sobre os ganhos que pode ter ao escolher uma postura mais colaborativa. Ao alcançar isso quem você se torna?
 
Ampliar seu conhecimento sobre suas preferências de trabalho, reconhecendo os motivos que na sua percepção, o ajudam ou podem atrapalhá-lo na hora de colaborar em rede;
 
Entender mais o contexto atual, ler mais sobre tendências e sobre as mudanças no mundo dos negócios, o avanço da tecnologia etc.
 
Desenvolver a empatia;
 
Ampliar a compreensão sobre o outro e a percepção das interdependências – realizar projetos comuns;
 
Preparar-­se para gerenciar conflitos;
 
Familiarizar-se e utilizar ferramentas de colaboração;
 
Reconhecer seus limites, preferências e adotar um modelo de colaboração que o desafie, todavia o respeite.
 
O caminho é longo e sinto muito por informar: não conheço atalhos para chegar lá. Falamos de um aprendizado estendido por toda a vida, mas a boa notícia é: somos capazes de aprender qualquer coisa, basta desejarmos e dar os primeiros passos.
 
Você se lembra do tal "Mundo V.U.C.A." mencionado no início do texto? Pois é, colaborar não é mais uma opção ou uma preferência pessoal, passou a ser necessidade básica para sobrevivência neste novo e admirável mundo do trabalho que nos sugere pelo menos uma certeza:
 
Unidos venceremos!
 
*Claudia Klein é especialista em transformação profissional. Lidera a Argumentare desde 2010 com atuação no desenvolvimento da liderança, gestão de trajetórias de carreira e coaching executivo. Atua como palestrante e professora convidada do COPPEAD UFRJ, do Ibmec/RJ e da FGV/RJ.

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