Bracol precisou superar preconceito dos colaboradores ao oferecer terapia gratuita
Implementado em março de 2025, o programa hoje tem fila de espera, mas ainda requer quebra de resistência
A saúde mental no trabalho tem movimentado cada vez mais as empresas do país, principalmente após as mudanças na NR-1, que incluíram os riscos psicossociais como obrigatórios no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Para prevenir o agravamento de problemas emocionais, fortalecendo um ambiente mais humanizado, a Bracol, indústria de calçados de segurança e EPIs, criou, em março do ano passado, um serviço de acompanhamento psicológico gratuito para os colaboradores.
No início, entretanto, a empresa precisou vencer o desafio do preconceito dos próprios colaboradores, que viam o acompanhamento psicológico com certa desconfiança e receio de exposição. “Com um trabalho de conscientização, mostramos que o espaço é seguro, confidencial e voltado para o bem-estar e essa barreira foi caindo. Hoje o atendimento tem fila de espera", conta Thiago Honório, gerente de RH da companhia. O preconceito, diz ele, deu lugar a uma busca espontânea por apoio.
Atualmente, são realizadas em média 120 sessões mensais com duração de até 50 minutos, presenciais ou online. O atendimento é conduzido por duas psicólogas e está disponível para todas as unidades, distribuídas nos estados de São Paulo, Pará, Paraná e Mato Grosso do Sul, conforme a demanda.
Até agora, o programa beneficiou 91 dos 4.000 colaboradores, a maior parte em Lins (SP), além de registros na unidade de Castanhal (PA) e tem como principal reflexo a melhora no bem-estar e no engajamento das equipes.
A adesão varia entre as unidades, principalmente por conta de fatores culturais. O desafio é estreitar a comunicação e demonstrar o valor prático das sessões na rotina de cada colaborador. "Queremos aprimorar as iniciativas já existentes e continuar quebrando barreiras, ampliando o alcance do projeto para garantir que cada vez mais colaboradores tenham acesso facilitado a esse suporte emocional", conclui Thiago.
A companhia tem planos para consolidar e expandir a cultura de cuidado na área de saúde mental, onde já mantém outras ações, como campanhas relacionadas ao Setembro Amarelo e Janeiro Branco, além de palestras sobre temas como assédio moral e sexual, violência contra a mulher e respeito às minorias.
As lideranças também estão envolvidas, com participação dos gestores em treinamentos e orientações relacionadas à identificação de possíveis sinais de sofrimento psicológico entre os colaboradores.
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