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27/05/2026 - 08h48 Saúde e Bem-Estar

Pressão e saúde mental vão definir quais empresas conseguirão sustentar performance

Pesquisa da Wellhub com 1.500 líderes de RH aponta os impactos no Brasil e no mundo


Ao mesmo tempo em que o Brasil lidera índices globais de ansiedade, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), empresas do país são as que mais relatam pressão para reter profissionais com habilidades ligadas à inteligência artificial, de acordo com o estudo ROI do Bem-Estar 2026, realizado pela Wellhub com 1.500 líderes de RH em dez países.

 

Os dados sugerem que a aceleração da IA, combinada à pressão crescente por performance e estruturas mais enxutas, começa a deslocar a discussão sobre saúde mental e bem-estar do campo dos benefícios corporativos para o centro das estratégias de produtividade, retenção e sustentabilidade da performance.

 

Para Ricardo Guerra, líder da Wellhub no Brasil, a convergência entre pressão crescente por performance e deterioração da saúde mental deve se tornar um dos principais desafios corporativos dos próximos anos, especialmente em um cenário em que empresas dependem cada vez mais de talentos estratégicos para sustentar crescimento, adaptação tecnológica e resultados.

 

O estudo indica três grupos de empresas brasileiras emergindo da inflexão atual. "Os próximos 24 meses vão decidir quais empresas brasileiras vão entrar em 2028 valendo mais do que valem hoje e quais vão descobrir que perderam, sem se dar conta, os profissionais que sustentavam o futuro delas", acredita Ricardo. São elas:

 

Empresas que se reinventam

Em todo o mundo, 95% das companhias que medem retorno sobre programas de bem-estar obtêm ROI positivo e quase 25% delas relatam retorno acima de 100%, o equivalente a dois dólares de retorno para cada dólar investido. Elas já tratam o capital humano como ativo de balanço, não como linha de despesa. Devem entrar em 2028 com vantagem competitiva mensurável em retenção, produtividade e custo.

 

Empresas em zona cinzenta

Elas reduziram estruturas em 2024 e 2025 impulsionadas pela automação, mas não investiram em sustentar os times remanescentes. Esses profissionais agora convivem com a chamada survivor guilt ou "culpa do sobrevivente", o desgaste emocional e a sobrecarga silenciosa de quem permanece após grandes reestruturações, enquanto as empresas começam a sentir os impactos em afastamentos, perda de talentos e queda de produtividade. No Brasil, 89% dos líderes de RH afirmam que questões relacionadas à saúde mental já elevam os custos das organizações.

 

Empresas que ficarão para trás

São as organizações que continuam tratando saúde mental e bem-estar como benefícios periféricos, não como infraestrutura para sustentar produtividade, retenção e adaptação em um ambiente cada vez mais pressionado pela IA. Em um cenário de disputa crescente por talentos estratégicos, empresas que não conseguirem criar ambientes mais sustentáveis correm o risco de perder justamente os profissionais mais críticos para sustentar inovação, crescimento e competitividade.

 

A CONTA DA SOBRECARGA

O Brasil se posiciona no estudo acima da média global em praticamente todos os indicadores relacionados à pressão sobre talentos estratégicos, produtividade e saúde mental nas empresas. Os resultados chamam atenção mesmo em um contexto em que o país já convive historicamente com altos índices de afastamentos, ansiedade, estresse e burnout no ambiente de trabalho.

 

  • 98% das empresas afirmam que reter profissionais de alta performance será prioridade em 2026, dez pontos acima da média global de 88%.

 

  • 74% dos líderes de RH temem perder colaboradores com habilidades em IA. No mundo, esse índice é de 62%.

 

  • 89% afirmam que questões relacionadas à saúde mental já elevam os custos organizacionais, o maior índice entre os dez países e bem acima dos 72% da média global.

 

  • 98% das empresas dizem que programas de bem-estar aumentam a produtividade, ante 91% global, e para 92% bem-estar é fundamental para o sucesso financeiro da companhia.

 

O estudo sugere que a pressão começa a ultrapassar a esfera emocional e ganhar impacto operacional dentro das empresas. No Brasil, 98% das organizações afirmam que reter profissionais de alta performance será prioridade em 2026, enquanto 74% dos líderes de RH dizem temer perder talentos com habilidades ligadas à IA.

 

Ainda, estresse crônico e burnout aparecem como os fatores que mais comprometem a saúde mental dos colaboradores, mencionados por 23% dos entrevistados. Em seguida vêm excesso de trabalho e expectativas irreais, com 21%.

 

"Ambos são fatores 100% internos à organização e não dependem de cenário macroeconômico, política pública ou comportamento individual do colaborador. Dependem de como o trabalho é organizado dentro de cada empresa", afirma Juliano Ballarotti, general manager da Wellz, plataforma de saúde emocional do Wellhub.

 

Para ele, quando um colaborador prioriza sua saúde mental, não está escolhendo trabalhar menos, mas buscando condições para trabalhar melhor. “O antigo modelo de comando e controle se tornou um dos cenários mais ineficientes para os negócios modernos. Quanto mais a tecnologia acelera a rotina, mais importante se torna criar ambientes onde as pessoas consigam manter foco, equilíbrio, capacidade de reflexão e saúde mental para tomar boas decisões".

 

 

 

Foto: Shutterstock

 

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