Imagem da matéria A jornada solitária dos CEOs - Causas e consequências para a vida dos executivos e para as organizações
13/12/2024 - 12h21 Publieditorial

A jornada solitária dos CEOs - Causas e consequências para a vida dos executivos e para as organizações

Especialista alerta: a saúde mental da liderança ainda é um assunto pouco discutido


 

Os líderes são essenciais para combater ambientes de trabalho estressantes e apoiar a saúde mental dos trabalhadores. Apesar disso, pesquisas mostram que mais da metade dos novos gestores se sente desamparada no início da carreira. A questão vai muito além da solidão e do desamparo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é uma das maiores causas de faltas no trabalho no mundo.

 

Com mais de 20 anos na liderança de diversas empresas, Stênio Nordau Alvarenga, CEO da ONmnia, escolheu “A saúde mental dos líderes” para realizar sua tese de doutorado na FGV. O interesse pelo tema surgiu após inúmeros telefonemas que ele próprio recebeu de seus colegas de trabalho, convidando-o para tomar um café. “O convite para o cafezinho, na verdade, quer dizer: Estou com um problema e preciso conversar com alguém”, explica. A partir desses encontros, o executivo começou a analisar como é solitária a vida de um líder, tanto na tomada de decisão da organização, quanto nos dilemas pessoais.

 

Apesar do surgimento de programas de bem-estar que valorizam a qualidade de vida, com horários flexíveis e apoio psicológico, a saúde mental da liderança ainda é um assunto pouco discutido. Demonstrar fragilidade emocional é um tabu, principalmente em um cenário competitivo. Muitos líderes temem se expor para evitar julgamentos e preferem manter-se isolados. “O líder é responsável pelo desenvolvimento e performance de um time. Como ele vai entregar suporte, apoio e direcionamento para esses colaboradores se não estiver preparado?”, questiona.

 

Segundo Stênio, além da vaidade do cargo e da pressão do dia a dia, fatores como excesso de trabalho, cobrança por desempenho e um clima organizacional conflituoso contribuem para o problema. “O CEO é o responsável pela visão, missão, valores da companhia, planejamento estratégico e orçamentário, governança, mapeamento de riscos etc. Além disso, ele deve direcionar assuntos emergentes como ESG, inteligência artificial e diversidade, entre outros. O líder “tem” que ter resposta para tudo e muitos não delegam e não dividem a tomada de decisão”, avalia.

 

Pesquisas mostram que a saúde mental pode ter um efeito negativo na vida pessoal, no trabalho e até no desempenho organizacional. Dificuldade de concentração, irritabilidade, cansaço e raiva são alguns dos sintomas mais evidentes. Além disso, a ansiedade pode influenciar o processo de tomada de decisão dos líderes.

 

Como o RH pode ajudar nessa jornada?

Nesse contexto, as organizações devem incentivar os líderes a buscarem melhorias na qualidade de vida, como praticar atividades esportivas, de lazer e de socialização. Os CEOs que têm a oportunidade de conversar com outros colegas em funções parecidas, membros do conselho ou grupos destinados à tomada de decisão, sentem-se menos ansiosos e solitários.

 

Além disso, treinamentos podem ser oferecidos para que os líderes se tornem mais empáticos aos problemas de seus liderados. O acompanhamento psicológico e o apoio social também são importantes para ajudar o líder a se desenvolver e contribuir para o bem-estar pessoal e organizacional. “Precisamos acabar com o preconceito de que um colaborador com um problema vai ter baixa performance. Infelizmente, quando ocorre um determinado evento em que a produtividade cai, a substituição acontece, e isso é ruim porque não ajuda nem o ser humano, nem o profissional.”

 

Stênio ressalta que, além do RH, o líder também deve estar atento e preparado para identificar o que está acontecendo com seus gestores. “O interesse tem que ser genuíno não pode ser apenas pelo número ou meta da empresa; nesse sentido, é preciso ter escuta ativa e apoio mútuo. E não importa se é o líder ou o liderado. O que importa é o ser humano que está vivenciando isso”, conclui.

 

Os programas de Alta Gestão da FGV oferecem uma abordagem única para desenvolver competências estratégicas e preparar líderes para os desafios do mundo corporativo. Com conteúdos inovadores e foco na aplicabilidade, os programas são uma oportunidade para transformar sua jornada profissional e impulsionar resultados na sua organização.

 

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