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24/09/2021 - 08h00 Publieditorial

Como a Human Experience Management nos torna melhores

A primeira experiência positiva parte do bem-estar, afirma Rafael Motta, sócio da Dasa, neste artigo


 

 

Há mais de uma década, quando eu comecei minha carreira, não era incomum que as pessoas fossem consideradas apenas mais um ativo de uma empresa. Organizadas e categorizadas, tínhamos mesmo as nossas tags de identificação, indicando nome e código. Se pararmos para observar, até o nome da área que cuida do relacionamento das pessoas ainda traz marcas dessa época: recursos humanos.

 

O nome pode ter sobrevivido, mas organizações que tratam pessoas como meros instrumentos, não. As empresas que foram darwinianamente selecionadas para permanecer enxergam seus integrantes como gente e estão aptas a dar um novo passo, que é a adoção das práticas conhecidas como Human Experience Management (HXM).

 

A expressão começou a ganhar popularidade há poucos anos. Essas práticas colocam ferramentas e tecnologias à disposição das pessoas para que elas possam vivenciar experiências fluídas, produtivas, significativas e pessoais enquanto estão trabalhando. Em outras palavras, passamos a enxergar pessoas como o que elas são: indivíduos, com suas particularidades, desejos e ambições. Isso exige que a área de RH seja capaz de se adaptar, tenha agilidade e busque melhores práticas constantemente no mercado.

 

Essa demanda se torna ainda mais importante se levarmos em consideração o contexto de nossa sociedade. Vivemos no que é chamado de um mundo Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível (tradução da expressão em inglês BANI: brittle, anxious, nonlinear e incomprehensible). Ele força a valorização de vitórias a qualquer custo, sem espaço para erros ou percepção humanas, tratando nossos feitos como meras coisas. Parece com alguma antiquada descrição de Recursos Humanos?

 

Na minha percepção, o que a Human Experience Management faz é contribuir para reverter esse cenário (ainda que no âmbito corporativo), trazendo o componente humano para o espaço de trabalho. Ela permite que líderes possam experimentar a liderança em sua essência e que seus liderados possam ser a melhor versão de si mesmos. Ela faz com que percebamos nossa capacidade de grandes realizações, enquanto nos leva em consideração como seres humanos individuais, cada em um em sua jornada – suscetíveis a falhas e vulnerabilidades, como qualquer pessoa.

 

Os resultados são concretos e outras organizações os comprovam. Segundo a Forbes, 93% dos profissionais tendem a ser mais fiéis a uma organização quando trabalham com uma liderança empática.

 

Então, olhar para as pessoas como indivíduos e não como coisas a serviço de um KPI significa levar em conta o seu estado mental. E, cá entre nós, este assunto não é nenhuma novidade em gestão de pessoas. Ele se tornou, porém, ainda mais imprescindível durante a pandemia.

 

É impossível conversar sobre Human Experience Management sem abordar como nossa cabeça está, ainda mais em um país no qual, de dez afastamentos do trabalho, cinco estão relacionados a saúde mental, segundo a ABRH. Há problemas invisíveis, como o presenteísmo – o colaborador está fisicamente presente, mas seus pensamentos estão longe, sem concentração e produtividade. Que atire a primeira pedra, aliás, quem nunca vivenciou um dia sequer de trabalho com a cabeça nas nuvens.

 

Para analisar o bem-estar mental de uma pessoa, os psicólogos utilizam uma metodologia chamada de Roda da Vida. Ela traz doze aspectos da vida que precisam estar equilibrados para que uma pessoa tenha uma boa saúde mental:

 

·       Saúde e Disposição

·       Desenvolvimento Intelectual

·       Equilíbrio Emocional

·       Carreira e Trabalho

·       Finanças

·       Contribuição Social

·       Amizades e Família

·       Afetividade e Amor

·       Vida Social

·       Hobbies e Diversão

·       Realização e Felicidade

·       Espiritualidade

 

É possível incentivar ações em cada um desses aspectos para garantir a boa saúde mental das pessoas de sua equipe. Por isso, eu e minha equipe desenvolvemos um eBook na iTech Care, spin off da Dasa, chamado a Enciclopédia da Saúde Mental para Empresas. Ele traz orientações mais detalhadas sobre como cuidar de cada um deles.

 

Além disso, a Dasa tem ferramentas voltadas para o mapeamento e acompanhamento dessas questões. Pode nos procurar, que nós teremos toda a satisfação em te ajudar. Porém, já posso destacar duas coisas que você já pode fazer imediatamente para melhorar a saúde mental da sua equipe, independentemente de qualquer metodologia ou recurso:

 

A primeira é observar sua equipe. Alguém falante está calado, ou o introspectivo do grupo está em todas as discussões? O clima da sua equipe está positivo? E, em especial, você, gestor, pode fazer algo para transformar essa situação? A segunda é conversar. Sim, não será possível entender o que se passa com todos. Nem todo mundo vai querer se abrir com você, ou com seu departamento responsável.

 

Mas o simples fato de você se importar já é um exemplo de Human Experience Management. Isso mostra ao seu grupo que eles são vistos como pessoas, não como máquinas, e que tudo bem não estar bem em alguns dias. Por si só, já é uma experiência positiva de relação entre organização e pessoas.

 

O esforço vale a pena. Segundo outra pesquisa, do Instituto Gallup, as organizações que investiam em Human Experience Management observaram um crescimento de 17% da produtividade, redução de turnover em 40% e triplicaram a receita por colaborador.

 

Para abraçar a plenitude dos benefícios de Human Experience Management, é necessário que líderes e gestores de RH assumam protagonismo e acolham a saúde mental de suas pessoas. Elas só poderão vivenciar uma experiência plena de trabalho se seus pensamentos e sentimentos estejam em ordem. Isso é uma obrigação do nosso mercado. Afinal, já foi o tempo de tratarmos gente como cadeiras e mesas, não é?

 

Foto de abertura: Divulgação

 

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