Para fortalecer a gestão de desempenho, empresas apostam em mais feedbacks e em feedforward
Evolução de dinâmicas vem em resposta à necessidade de velocidade, adaptação e aprendizado
O feedback é uma das ferramentas mais importantes da gestão de pessoas, mas a forma como ele é aplicado está mudando: em vez de concentrar as conversas sobre desempenho em avaliações anuais, empresas têm apostado em encontros mais frequentes e focados no desenvolvimento contínuo. Nesse movimento, o feedforward ganha espaço por incentivar líderes e colaboradores a discutirem os próximos passos da carreira, em vez de olhar apenas para erros e acertos do passado. Enquanto o feedback ajuda a compreender situações que já aconteceram, o feedforward direciona a conversa para aquilo que pode ser feito dali em diante. Em vez de concentrar o diálogo apenas em falhas, líderes passam a discutir objetivos, oportunidades de desenvolvimento e ações concretas para melhorar resultados.
Empresas como Adobe e Microsoft já reformularam seus modelos de avaliação para privilegiar conversas contínuas e focadas no crescimento dos colaboradores. Os resultados incluem redução da rotatividade, maior engajamento e fortalecimento da cultura organizacional. "O feedback continua sendo indispensável, mas perde efetividade quando acontece apenas uma vez por ano ou somente diante de um problema. As pessoas precisam entender constantemente onde estão acertando, o que podem desenvolver e quais são os próximos passos para crescer dentro da organização. É justamente aí que o feedforward complementa esse processo", diz Kauã Leandro, gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR).
Essa transformação dos modelos de gestão de desempenho vem em resposta às mudanças no mundo do trabalho. Equipes híbridas, inteligência artificial e novas competências exigidas pelo mercado tornaram o ciclo anual de avaliação insuficiente para acompanhar a evolução dos profissionais.
Esse também responde a uma demanda dos próprios profissionais. De acordo com a Gallup, colaboradores que recebem orientações frequentes têm 3,6 vezes mais chances de estar engajados no trabalho. Em um cenário em que o engajamento global caiu para 20%, o menor índice desde 2020, fortalecer o diálogo entre líderes e equipes tornou-se uma estratégia de negócios, e não apenas uma prática de Recursos Humanos.
Qualidade das conversas
Mais do que aumentar a frequência das reuniões entre líderes e colaboradores, a qualidade dessas conversas é determinante para o sucesso da gestão de desempenho. Um dos erros mais comuns é transformar o feedback em um momento de cobrança. Comentários genéricos, ausência de exemplos concretos e foco excessivo nos erros fazem com que muitos profissionais associem esse processo a experiências negativas.
Para Kauã, feedback e feedforward funcionam melhor quando fazem parte da rotina da equipe, não apenas de momentos formais. "O colaborador precisa perceber que essas conversas existem para apoiar seu desenvolvimento e não apenas para avaliar seu desempenho. Quando o líder reconhece conquistas, orienta melhorias e ajuda a construir soluções para o futuro, cria-se uma relação de confiança que beneficia toda a equipe."
A tecnologia começa a apoiar esse processo. Ferramentas baseadas em IA conseguem organizar informações sobre desempenho, identificar padrões e sugerir planos de desenvolvimento, permitindo que os gestores dediquem mais tempo às pessoas e menos às tarefas administrativas. Ainda assim, nenhuma tecnologia substitui o papel da liderança na construção de confiança e no desenvolvimento dos profissionais.
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