O futuro das organizações passa pelo desenvolvimento humano
Investir nas pessoas é uma convicção e um forte direcionador da cultura, diz líder de RH da Eldorado Brasil
Por Elcio Trajano Jr.*
Quando me perguntam o que realmente sustenta a inovação dentro de uma empresa, minha resposta é simples: são as pessoas. Vivemos uma época em que a tecnologia avança numa velocidade impressionante. Inteligência artificial, automação e digitalização estão transformando os mercados, criando oportunidades e mudando a forma como trabalhamos. Tudo isso é importante. Mas, ao longo da minha trajetória, aprendi que nenhuma tecnologia gera resultados sozinha.
Por trás de cada transformação bem-sucedida existe alguém disposto a aprender, se adaptar, colaborar e encontrar novas soluções. É por isso que acredito que o desenvolvimento humano deixou de ser apenas uma pauta da área de Recursos Humanos e passou a ser compartilhada por toda organização.
O mercado muda rapidamente. Novas profissões surgem, funções se transformam e competências que antes eram diferenciais passam a ser requisitos básicos. Nesse cenário, a capacidade de aprender continuamente talvez seja o ativo mais valioso que as pessoas e as empresas, podem ter.
Na Eldorado, vejo diariamente como o crescimento do negócio está diretamente conectado ao crescimento das pessoas. Somos quase 6 mil colaboradores que ajudam a construir essa história todos os dias. Por isso, investir em desenvolvimento é uma convicção, dentro da lógica de valorização das pessoas, um forte direcionador na cultura da empresa. Em 2025, destinamos R$ 7,4 milhões para capacitação e realizamos mais de 25 mil horas de treinamento em diferentes áreas da companhia.
Mais do que os números, importa o que eles evidenciam. Cada curso concluído, cada nova habilidade desenvolvida e cada oportunidade criada têm potencial para transformar trajetórias profissionais e pessoais.
É com esse olhar que apoiamos iniciativas como o Acelera Florestal, programa que prepara trabalhadores para o Encceja e contribui para a conclusão do ensino fundamental e médio. Sempre que acompanho histórias de colaboradores que retomaram seus estudos e ampliaram suas perspectivas de futuro, reforço minha visão de que educação continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de transformação social. Desde 2023, quando o projeto foi criado, 168 colaboradores já obtiveram seus diplomas do ensino fundamental ou médio.
Temos avançado também em iniciativas voltadas ao desenvolvimento das pessoas, com foco em temas que hoje são centrais para o ambiente corporativo. O +Saber, por exemplo, promove encontros sobre aspectos ambientais, sociais e de governança, além de estimular discussões sobre inteligência emocional, neurociência e diversidade, equidade e inclusão.
Os programas de mentoria seguem a mesma lógica, ao incentivar a evolução profissional e apoiar o desenvolvimento de carreira, liderança e gestão de conflitos. Na prática, são iniciativas que ajudam a consolidar uma cultura de aprendizado contínuo e a preparar as equipes para contextos cada vez mais desafiadores.
A Academia da Liderança complementa esse esforço com trilhas de aprendizagem estruturadas para todos os níveis de gestão, fortalecendo a capacidade dos líderes de direcionar equipes, melhorar a performance e impulsionar engajamento e retenção, fatores diretamente conectados à consistência dos resultados.
Já no campo operacional, o aprimoramento do Programa de Aperfeiçoamento da Transportadora Eldorado (Pate) ilustra como ajustes mais táticos também geram impacto. Com a instalação de contêineres climatizados nas fazendas, o processo de capacitação se tornou mais eficiente, confortável e integrado à rotina dos motoristas.
A mesma lógica orienta o Centro de Treinamento Itinerante Florestal (Ctif), que leva qualificação técnica diretamente às operações. Com mais de 100 cursos disponíveis, conseguimos aproximar o conhecimento da realidade dos profissionais, fortalecendo competências essenciais para uma operação cada vez mais moderna, segura e eficiente. Vamos onde o trabalhador está.
Também acredito que não existe desenvolvimento sustentável sem cuidado com o bem-estar. Por isso, estruturamos programas focado na saúde mental e física dos nossos times, cuidado que é traduzido em engajamento. Nesse contexto, o programa Cuidadosamente reforça essa agenda ao atuar na prevenção de doenças mentais, com avaliações e orientação aos participantes para a adoção de práticas que contribuam para o equilíbrio e evitem o adoecimento.
No olhar sobre aplicação tecnológica nas operações, temos a chamada Indústria 5.0, que proporciona uma reflexão que considero fundamental: a tecnologia não veio para substituir o ser humano. Ela veio para potencializar sua capacidade de gerar valor. Ferramentas digitais, inteligência artificial e análise de dados ampliam possibilidades, mas continuam dependendo da criatividade, da sensibilidade e da capacidade de adaptação das pessoas.
É exatamente essa visão que inspira programas como o Inovar e o Inova+, que incentivam nossos colaboradores a propor soluções para desafios reais do negócio. Mais do que captar boas ideias, essas iniciativas fortalecem algo que considero essencial: o protagonismo.
Olhando para o futuro, acredito que a vantagem competitiva das organizações atrela a inserção tecnológica e a habilidade de desenvolver pessoas capazes de aprender, inovar e liderar mudanças.
Quando investimos no desenvolvimento humano, fortalecemos o negócio, impulsionamos a inovação e criamos impactos que vão muito além dos resultados corporativos. O crescimento alcança famílias, comunidades e gerações. Talvez por isso eu tenha tanta convicção de que o futuro das organizações continuará sendo, acima de tudo, uma construção humana.
*Elcio Trajano Jr. é diretor de RH, Sustentabilidade e Comunicação da Eldorado Brasil Celulose
Foto: Celso Doni








