Quase todo mundo tem um lado sombrio no trabalho, mostra análise com 86 mil profissionais
Apenas 0,11% dos profissionais não apresentam tendências de personalidade consideradas de risco moderado ou alto
Sob pressão, algumas das características que ajudam um profissional a ter sucesso podem produzir o efeito contrário e despertam o “lado obscuro” da personalidade. São padrões que a consultoria Hogan Assessments chama de descarriladores de personalidade. Isso não significa que sejam necessariamente negativos. Em muitos casos, são qualidades levadas ao excesso: a atenção aos detalhes pode evoluir para perfeccionismo, a confiança pode se tornar excessiva, o entusiasmo pode evoluir para a necessidade atenção, a cautela pode se transformar em hesitação e a independência, em distanciamento.
“O lado sombrio da personalidade não serve para separar bons profissionais de maus profissionais”, afirma Alise Dabdoub, diretora de Inovação de Produtos e Ciência de Dados da Hogan. “Muitas vezes, estamos falando de características que contribuem para o sucesso de uma pessoa, mas que se tornam menos eficazes quando levadas longe demais. A mesma característica que ajuda alguém a ter sucesso em uma situação pode criar dificuldades em outra, especialmente quando a pressão aumenta.”
As tendências mais comuns no trabalho
Uma análise da consultoria, baseada em dados de 86.615 profissionais de sua base global, avaliou 11 dimensões de personalidade. O levantamento mostra que quase todo mundo possui um lado obscuro: apenas 0,11% não apresentaram nenhuma tendência em nível de risco moderado ou alto.
Entre os analisados, as tendências que apareceram com maior frequência em nível de alto risco foram:
► Expressivo, 14,3%: Expressividade e confiança social podem se transformar em busca excessiva por atenção ou dificuldade em dividir o protagonismo.
► Cauteloso, 14,2%: Cautela na tomada de decisões pode evoluir para hesitação excessiva ou medo de falhar.
► Arrogante, 13,7%: Confiança e ambição podem se transformar em excesso de confiança, senso de merecimento ou dificuldade para reconhecer erros.
► Reservado, 13%: Independência e controle emocional podem se transformar em distanciamento ou comunicação limitada.
Quando os pontos fortes começam a trabalhar contra nós
Pressão, excesso de trabalho, mudanças, conflitos e cansaço podem aumentar a probabilidade dessas tendências aparecerem. Mas o estresse não é o único gatilho. Tédio, acomodação ou excesso de confiança também podem reduzir a atenção que uma pessoa dedica à forma como age e ao impacto que causa nos outros.
O objetivo não é eliminar essas tendências nem tentar mudar a personalidade de alguém. O foco está no desenvolvimento do autoconhecimento estratégico: entender quais comportamentos uma pessoa tende a levar ao excesso, identificar os gatilhos e perceber seus efeitos sobre colegas, gestores e equipes.
“Uma das formas mais úteis de desenvolver esse autoconhecimento é prestar atenção aos padrões que aparecem nos feedbacks recebidos”, afirma Alise. “Se você ouve repetidamente que demora demais para tomar decisões, ocupa espaço demais nas conversas ou se distancia quando surgem dificuldades, isso pode indicar que uma qualidade está sendo levada ao excesso. O objetivo não é mudar quem você é, mas perceber esse comportamento a tempo de ajustá-lo.”
Essa consciência é especialmente importante para líderes, cujo comportamento pode influenciar a confiança, a comunicação e o desempenho de toda a equipe.
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