Quando se tornam mães, mulheres enfrentam desafios para conciliar carreira internacional
Para Paula Melo, especialista no assunto, o modelo tradicional de mobilidade global ainda precisa evoluir
Com a proximidade do Dia das Mães, a reflexão sobre os diferentes papéis exercidos pelas mulheres ganha ainda mais relevância. Para mães que ocupam ou almejam cargos de liderança em empresas globais, o desafio vai além da rotina intensa: envolve decisões estratégicas sobre mobilidade, adaptação cultural e estrutura familiar, fatores que ainda limitam a presença feminina em posições de alto escalão no exterior.
Dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) apontam que apenas três em cada dez cargos gerenciais são ocupados por mulheres e cerca de 6% chegam ao posto de CEO. No entanto, a exigência de mudanças frequentes de país, fusos horários distintos e disponibilidade integral torna esse caminho mais complexo para mulheres com filhos, especialmente diante da ausência de políticas corporativas que acompanhem essa realidade.
Para Paula Melo, especialista em carreira internacional, o modelo tradicional de mobilidade global ainda precisa evoluir. “A carreira internacional é vista como um diferencial competitivo importante, mas foi estruturada em um contexto que não considera as múltiplas responsabilidades das mulheres, principalmente das mães. Isso faz com que muitas profissionais altamente qualificadas fiquem fora desse circuito”, explica.
Ela aponta que o desafio não está na capacidade, mas na estrutura oferecida pelas empresas, sem suporte adequado, como auxílio na adaptação dos filhos, redes de apoio e flexibilidade, o que faz muitas mulheres recusarem oportunidades estratégicas.
Outro ponto relevante é que, mesmo quando conseguem acessar essas posições, ainda enfrentam um nível maior de cobrança. A cultura corporativa internacional, muitas vezes baseada em disponibilidade contínua e alta performance, pode intensificar a sensação de sobrecarga.
Mas Paula garante que algumas multinacionais já começam a revisar seus modelos de atuação, investindo em formatos mais flexíveis de trabalho e programas de mobilidade internacional adaptados. Iniciativas como contratos híbridos, deslocamentos temporários e suporte familiar têm surgido como alternativas para tornar a carreira global mais acessível. “Se as empresas querem diversidade real na liderança global, precisam repensar o modelo de carreira internacional. Não é sobre adaptar a mulher a esse formato, mas transformar esse formato para incluir diferentes realidades, incluindo a maternidade”, conclui.
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