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25/11/2019 - 16h29 Dicas dos Especialistas

Especialista orienta sobre os passos a serem dados para uma boa tomada de decisão

Luciano Salamacha aborda métodos que ajudam a ir na direção mais acertada


 

Durante grande parte das 24 horas do dia, decidimos centenas de coisas de forma quase automática, como que roupa vestir, qual o caminho a tomar, que mensagens e a quem mandar, quais postagens comentar, o que comer, a que horas sair. De acordo com o especialista em neurociência aplicada ao negócio Luciano Salamacha, professor de MBA da FGV e da Esic Internacional, na maioria dos casos, o nosso cérebro faz escolhas assim baseado em experiências anteriores, nos costumes locais, na cultura ou construção psicológica, momento hormonal e até mesmo na genética de pessoa. Mas quando as decisões envolvem maior complexidade, sobre um projeto, a demissão de um profissional, a troca de emprego, fazer a escolha sem errar? Salamancha diz que não há como prescrever uma receita imune a falhas, mas há métodos que nos aproximam de decisões mais acertadas.

 

“Tudo passa pelo cérebro, que é responsável por aproximadamente 20% de toda a energia que consumimos. Portanto, poupar esforços está sempre no radar das decisões. É uma forma de garantir a sobrevivência, economizando energia para desafios maiores. Isso faz com que o cérebro automatize grande parte das escolhas, para que o esforço seja mínimo. Daí vem o perigo das decisões inconscientes. É quando deixamos de estar no comando de nossas vidas”, explica ele, que, a seguir, recomenda dez passos para uma boa tomada de decisão:

 

1- Tenha uma mente aberta para coisas novas que possam surgir. Na tomada de decisão, é comum que as variáveis que quer encontrar não sejam as que presumia existir. É mais ou menos como fazer uma busca com o objetivo de encontrar uma coisa que já sabe que está lá e nem sempre isso acontece.

 

2- Questione as decisões rápidas. Normalmente elas são construídas apenas de forma emocional, sem utilizar o trinômio cérebro, paixão e suor.

 

3- Nunca tome uma decisão baseada apenas no próprio ponto de vista. Olhe a decisão sobre o olhar do outro. É um exercício. Dá trabalho, mas o resultado pode surpreender.

 

4- Meça as consequências, as perdas e os ganhos. Às vezes, as perdas são tão pequenas que valem o risco. O ganho pode ser tão imenso e transformador que compense a perda. Se ousar não é seu gênero, tente de vez em quando. Você pode ter uma grata surpresa.

 

5- Visualize a sua vida, a dos seus companheiros e o seu trabalho baseado no depois de uma decisão que tomaria. Fantasie para medir o que poderá ser bom, mas também aquilo que poderá ser desastroso.

 

6- Cuidado com o pessimismo. Para a maioria das pessoas, o cérebro é essencialmente condicionado a pensar no pior. O otimismo é contagiante, é uma energia que pode fazer os projetos darem certo e que, de maneira bem prática, acaba com o sofrimento por antecipação. O otimismo contamina positivamente as pessoas em volta e pode ser a alavanca para o sucesso da sua decisão.

 

7- Tenha prudência. Decidir bem é pensar racionalmente. E prudência é ver as coisas como elas são, reduzindo os filtros que podem turvar a visão. Como disse o filósofo e teólogo, Tomás de Aquino, “é que a prudência é a virtude da inteligência...”

 

8- Estabeleça prazo para a tomada de uma decisão. O tempo de hesitação pode te deixar para trás. Alguém pode estar à frente da mesma decisão e chegar primeiro. Não perca o tempo das coisas.

 

9- Pense em cenários incertos: quais reparos você deverá fazer caso sua decisão não dê o resultado que espera? É um medidor que nos dá um certo conforto, mesmo no erro, porque o remédio já foi pensado.

 

10- Decida através dos seus valores, naquilo que acredita. Confie na sua visão e na sua vivência.

 

POR QUE PARA ALGUMAS PESSOAS TOMAR DECISÃO É QUASE UM SOFRIMENTO?


Algumas pessoas se esquivam de tomar decisões por mais simples que sejam. Ao acertarmos uma decisão, mesmo que pequena, o cérebro produz ondas de dopamina e nos premia com sensações de bem-estar. Isso nos dá mais confiança para decidir outras vezes. Por outro lado, muitas pessoas deixam de decidir quando fazem escolhas erradas, ficam inseguras e não querem sentir o gosto amargo do fracasso novamente. “É muito cômodo transferir as decisões para uma outra pessoa. Afinal, se errar, será cobrada. Entretanto, se acertar, os ganhos também serão dela e com eles irá construir uma vida, uma reputação e uma carreira mais sólida, mais respeitosa, mais admirada e mais promissora”, lembra o especialista

 

O treino em decidir ajuda nessa mudança, portanto, diz ele, é bom exercitar o “músculo decisório”. E aconselha: se você decidir e errar enormemente, não desista. Afinal, o mundo é sim feito de escolhas e não vamos acertar 100% das vezes. Os enganos podem contar uma bela história de resiliência. O importante é transformá-los em lições para novas e melhores decisões.

 

Membro de conselhos de administração de empresas, Salamancha diz que a tomada de decisão consciente é um diferencial humano e precisa ser exercido com força dentro das corporações que buscam resultados. Isso não significa perder a conexão emocional, mas sim entender as emoções que estão permeando todas as relações, para que possamos, acima de tudo, termos empatia. “Os melhores resultados de uma empresa são obtidos por pessoas, então é justo vivermos atentos às dores que atingem aqueles que nos cercam para que, nesse sentido de compreensão mútua, possamos abrir espaço para tudo o que importa ao time. Seja bem-estar, desafio, resultado financeiro ou crescimento pessoal.”

 

 

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