A conta da saúde corporativa está aumentando e a prevenção precisa entrar na estratégia das empresas
É preciso investir recursos no bem-estar dos colaboradores de forma sustentável, salienta CEO da Wellhub
Por Ricardo Guerra*
Os custos da saúde corporativa no Brasil vêm crescendo de forma consistente nos últimos anos. Para a maioria das empresas, o plano de saúde já é o maior item de despesa dentro da cesta de benefícios.
Uma pesquisa recente da consultoria Aon mostrou que 84,2% das empresas estão buscando estratégias para reduzir a sinistralidade dos planos de saúde. E a principal delas está relacionada a ações de bem-estar. Esse dado revela algo importante: as empresas começam a perceber que saúde não pode ser apenas uma conta a pagar. Precisa ser uma agenda de gestão.
Durante décadas, o modelo predominante foi reativo. As empresas pagam planos de saúde que entram em ação quando a doença aparece. Esse sistema é fundamental, mas ele atua essencialmente no tratamento, não na prevenção. E é justamente aí que existe uma oportunidade enorme. Cada vez mais organizações estão entendendo que investir em bem-estar é uma forma inteligente de gestão de risco em saúde. Incentivar hábitos saudáveis, atividade física, qualidade do sono, saúde mental e alimentação equilibrada ajuda a reduzir fatores de risco associados a diversas doenças crônicas.
O impacto disso vai além da saúde individual. Colaboradores mais ativos e saudáveis tendem a apresentar menos afastamentos, menos custos de saúde e maior engajamento e produtividade. Para as empresas, isso se traduz em um uso mais sustentável dos recursos destinados à saúde.
Essa mudança também reflete uma transformação no próprio mundo do trabalho. As novas gerações de profissionais valorizam cada vez mais ambientes que promovam qualidade de vida. Empresas que investem em bem-estar não apenas cuidam de seus colaboradores, também fortalecem sua capacidade de atrair e reter talentos.
Ao mesmo tempo, o Brasil ainda tem um enorme espaço para avançar nessa agenda. Hoje, apenas cerca de 5% a 7% da população possui matrícula ativa em academias ou estúdios. Isso mostra o tamanho da oportunidade de ampliar o acesso à atividade física e ao bem-estar.
Iniciativas de bem-estar que incentivam atividade física, saúde mental, alimentação equilibrada e qualidade do sono ajudam a reduzir fatores de risco associados a diversas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, que estão entre os principais responsáveis pelo aumento dos custos médicos. Entre esses fatores, a atividade física ocupa um papel central.
Há décadas, estudos científicos mostram que a prática regular de exercícios está associada à redução do risco de diversas doenças crônicas, além de benefícios importantes para a saúde mental e a qualidade de vida. A Organização Mundial da Saúde aponta que níveis adequados de atividade física podem reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e depressão.
A ciência também mostra que dois dos principais indicadores de longevidade e qualidade de vida são a quantidade de massa magra e a capacidade cardiorrespiratória, medida pelo VO₂ máximo. Pessoas com maior massa muscular e melhor condicionamento cardiovascular apresentam menor risco de mortalidade, melhor saúde metabólica e maior autonomia ao longo da vida. Além disso, pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar mais energia, maior disposição no dia a dia, melhor qualidade do sono e maior capacidade de concentração, fatores que impactam diretamente o bem-estar e o desempenho no trabalho.
Em um contexto em que doenças crônicas representam uma parcela crescente dos custos de saúde, incentivar a prática regular de atividade física deixa de ser apenas uma recomendação médica e passa a ser também uma estratégia de gestão de saúde populacional dentro das empresas.
A discussão sobre saúde corporativa está mudando. Se antes o foco estava apenas em garantir cobertura médica, agora as empresas começam a perceber que a verdadeira sustentabilidade do sistema passa pela prevenção.
Investir em bem-estar não é apenas uma política de recursos humanos. É uma estratégia de longo prazo para empresas mais saudáveis, produtivas e sustentáveis.
*Ricardo Guerra é CEO do Wellhub no Brasil
Foto: Divulgação/Wellhub








