Imagem da matéria A clareza que ainda nos falta na comunicação
16/01/2026 - 11h26 Artigos

A clareza que ainda nos falta na comunicação

Expert no assunto, Denise Joaquim Marques traz reflexões práticas para a construção de vínculos mais maduros


 

Por Denise Joaquim Marques*

 

 

Falar com clareza deveria ser algo simples, mas raramente é assim. Entre o que sentimos, pensamos e verbalizamos existe um percurso cheio de desvios construídos pelas experiências que deixaram marcas profundas. Muitas delas alimentam o medo do julgamento, a insegurança diante da rejeição, a hesitação em revelar aquilo que realmente nos move. Nesse caminho tortuoso, desperdiçamos gentilezas, sabotamos resultados e deixamos afetos pelo meio do trajeto porque a mensagem enviada não encontra a mensagem que gostaríamos de entregar.

 

Clareza não é apenas sobre escolher bem as palavras. É sobre alinhar intenções, emoções e expressão para que o outro perceba exatamente o que queremos comunicar. Quantas vezes, diante de um filho, a intenção real seria dizer que o amamos tanto que certos comportamentos nos entristecem ou nos preocupam, mas acaba saindo uma bronca que não traduz o sentimento. E quantas vezes, ao nos interessarmos por alguém, fazemos um gesto carinhoso e logo o enfraquecemos dizendo que não é nada demais, por temer a interpretação. Criamos ruídos porque não sustentamos a verdade do que sentimos e, na tentativa de nos protegermos, produzimos exatamente o efeito contrário.

 

O que realmente transforma uma conversa é fazer o outro compreender a importância que ele tem, tanto dentro do que estamos dizendo como para nós. Esse é o ponto de virada. Não se trata de discursos elaborados, mas de clareza emocional. A coragem de assumir sentimentos, de sustentar o que se deseja, de permitir que a intenção chegue sem filtros que a esvaziem,  dependem da clareza do nosso discurso interno. Quando há alinhamento entre pensar, sentir e dizer, a comunicação deixa de ser tentativa e passa a ser encontro.

 

Existe também um aspecto pouco discutido na clareza, que seria o quanto ela exige presença real. Não falamos com nitidez quando estamos dispersos, reativos ou presos em diálogos internos que competem com a conversa. Muitas interações fracassam não por falta de vocabulário, mas por falta de disponibilidade emocional. Estar presente é o que nos permite ouvir sem antecipar respostas, falar sem atacar, pedir sem manipular e expressar emoções sem confundi-las com acusações. A presença sustenta aquilo que a clareza revela.

 

Outro ponto essencial é que a comunicação transparente não se limita a instantes sensíveis. Ela se manifesta no cotidiano profissional, nos pequenos acordos que evitam desgastes, nas conversas aparentemente simples que moldam a convivência. Alinhar expectativas é cuidado, não dureza. Expressar limites é respeito, não frieza. Reconhecer erros é maturidade, não fraqueza. Quando a clareza se torna prática habitual, relações ficam menos tensas, equipes funcionam melhor e decisões ganham consistência.

 

Se buscamos relações mais saudáveis e resultados mais sólidos, precisamos abandonar o hábito de falar pela metade. A clareza é um ato de generosidade com o outro e conosco. É o que cria conexão verdadeira, evita mal-entendidos e abre espaço para vínculos mais maduros e conscientes. Comunicação é sempre sobre o outro, mas começa dentro de nós. Quando esse alinhamento ocorre, o que dizemos finalmente chega ao lugar exato em que pode ser compreendido.

 

*Denise Joaquim Marques é consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing, com foco em estratégias de alta performance, liderança comercial e diferenciação de mercado

 

 

Foto: Divulgação

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