Imagem da matéria O papel da liderança feminina na transformação das empresas
29/01/2025 - 11h32 Artigos

O papel da liderança feminina na transformação das empresas

É crucial ir além do discurso, diz Beatriz Sairafi, executiva de RH e ativista em ações de equidade de gênero


 

Por Beatriz Sairafi*

 

 

A presença de mulheres em posições de liderança no mundo corporativo é crescente, e muito se deve ao movimento pela equidade de gênero dentro das organizações. Indicadores recentes evidenciam avanços neste cenário, no qual as mulheres não apenas ocupam essas posições, mas também desempenham um papel crucial para criar relações, engajar equipes e contribuir para transformar a realidade das companhias.

 

É interessante observar que a representação equilibrada de gênero na liderança tende a criar uma cultura mais inclusiva, que preza pelo respeito, colaboração e empatia entre as equipes. Isso resulta em um ambiente mais saudável e produtivo, onde todos podem ter a oportunidade de contribuir e se desenvolver. O 9º relatório Mulheres no Local de Trabalho, da consultoria McKinsey e da LeanIn.org, organização que trabalha pela equidade de gênero, aponta que, de 2015 a 2023, a participação de mulheres em cargos executivos cresceu de 17% para 28%. O levantamento traz também o impacto em resultados positivos para o negócio como um todo, com o dado de que empresas com mais mulheres na liderança têm 25% mais chances de lucrar acima da média.

 

Corroborando com esse cenário, o estudo Mulheres nos negócios e na gerência: por que mudar é importante para os negócios?, da International Labour Organization, mostra que organizações que adotam a diversidade no quadro apresentam um crescimento de 10% a 15% na receita e uma melhoria nos índices de atração e retenção de talentos, na reputação e na imagem pública.

 

Apesar dos avanços, ainda existem desafios a serem superados. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, levará cerca de 134 anos para que haja um equilíbrio entre homens e mulheres em postos de liderança. Durante a minha trajetória, tenho trabalhado para apoiar programas de aceleração e desenvolvimento profissional de mulheres para contribuir com essa realidade. É essencial que, cada vez mais, as empresas adotem políticas e práticas inclusivas, buscando o equilíbrio que a diversidade de gênero pode proporcionar, como a associação ao Movimento pela Equidade Racial (Mover), com foco em acelerar a inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho e combater o racismo, e ao Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, para garantir o respeito e a promoção dos direitos LGBTI+. Ambas foram concretizadas na companhia onde atuo e levam em consideração que mulheres são constituídas por demais características que as tornam singulares e possuem diferentes vivências no mercado de trabalho.

 

Outro bom exemplo disso é a criação de ações voltadas ao desenvolvimento e mentoria para o público feminino dentro das companhias. Acompanhando iniciativas como essa, reforço que esses programas orientam e treinam colaboradoras para torná-las aptas a ocuparem cargos de liderança, seguindo a ideia de que elas também, futuramente, possam treinar outras colegas com o mesmo propósito de desenvolvimento profissional. Esse tipo de iniciativa promove uma cultura organizacional que valoriza a diversidade e a igualdade de oportunidades. Em meio a tudo isso, é importante também implementar políticas de remuneração justa e equitativa para que a questão do gênero não seja um fator determinante na definição salarial.

 

Esses são apenas alguns exemplos de ações inspiradoras que as corporações podem adotar para formar e capacitar mulheres a avançarem em suas carreiras. É crucial ir além do discurso e do cumprimento de normas e transformar, de fato, as intenções em práticas efetivas de ocupação feminina nos cargos de liderança. Empresas que trilham esse caminho não apenas se tornam mais competitivas, mas também sinalizam um futuro promissor, onde a diversidade de gênero é uma força motriz para o sucesso organizacional e reforça a intencionalidade da empresa na valorização da individualidade de cada pessoa.

 

 

*Beatriz Sairafi é sócia e vice-presidente de Gente, Cultura & Comunicação da Cogna

 

 

Foto: Divulgação/Cogna

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