Quase 15% dos profissionais relataram ideação suicida em 2025
Percentual foi apontado em levantamento sobre saúde mental da Vittude
Quando o sofrimento psíquico deixa de aparecer de forma isolada e passa a se manifestar em larga escala, o tema ganha contornos de urgência. E, embora suas causas sejam múltiplas, os impactos atravessam todas as dimensões da vida das pessoas. No ambiente de trabalho, sinais de exaustão emocional, ansiedade e adoecimento mental se tornam cada vez mais evidentes. O sinal de alerta acendeu em levantamento realizado pela Vittude, empresa especializada em programas corporativos voltados à saúde mental: de 174.475 profissionais brasileiros ouvidos, 14,75% afirmaram ter tido pensamentos suicidas ao longo do ano passado.
“A prevalência de quase 15% de ideação suicida é significativamente alta para populações trabalhadoras. No entanto, esse cenário não pode ser analisado apenas pela lente organizacional. Em muitos setores, como varejo, logística, alimentação, atendimento ao público e serviços, o ambiente de trabalho se soma a fatores estruturais de vulnerabilidade social, como longos deslocamentos, insegurança alimentar e jornadas múltiplas para complementação de renda, ampliando o risco de sofrimento psíquico”, comenta Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude.
A propensão ao burnout também se destacou: 5,94% da população pesquisada apresentou alta probabilidade de atingir o esgotamento, índice considerado sensível em função do seu potencial de impacto negativo nos custos previdenciários, tributários e trabalhistas. “À primeira vista, um percentual próximo de 6% pode parecer pequeno, mas a falta de gestão desse indicador pode resultar não apenas na deterioração da saúde individual, mas principalmente no aumento de indicadores como FAP/RAT, passivos trabalhistas e presenteísmo”, aponta Tatiana.
Ainda, o estudo mostra que 37,8% dos profissionais avaliados apresentam sintomas importantes de sofrimento psíquico, sendo quase 15% em um nível severo, capaz de comprometer funções cognitivas, como atenção e memória, provocar perda de desempenho e produtividade, além de aumentar consideravelmente os custos decorrentes da sinistralidade, acidentes de trabalho, ausências e afastamentos. Indiretamente, isso também eleva os gastos com recrutamento, seleção, treinamento e onboarding, e gera impactos negativos na reputação e na marca empregadora.
“Observamos que o problema não é individual, é estrutural. Ao consolidar essas informações no Censo, buscamos oferecer ao mercado mais do que estatísticas. Entregamos um instrumento prevencionista, alinhado aos requisitos da NR-1, que permite às organizações identificar pontos críticos, orientar medidas de controle e estruturar programas realmente efetivos de promoção da saúde mental. É um chamado à ação, fundamentado em números, para que líderes compreendam o impacto de suas decisões e adotem práticas que protejam as pessoas e fortaleçam seus negócios”, completa Tatiana.








