72% dos casos de assédio nas empresas são de natureza moral
Censo da Vittude sobre saúde mental também aponta que 45% das pessoas atuam em ambientes de insegurança psicológica
De acordo com o Censo de Saúde Mental 2025, da Vittude, especializada em programas de saúde mental empresarial, 17% das pessoas afirmam ter sofrido ou presenciado situações de assédio no ambiente de trabalho, sendo 72% casos de assédio moral e 28%, assédio sexual. O estudo reuniu dados coletados ao longo do ano passado, com 174.475 participantes de 35 empresas de grande porte de todo o pais, em diferentes funções, níveis hierárquicos e contextos organizacionais.
"Mesmo considerando o impacto desses números, é fundamental reconhecer que o assédio é um fenômeno amplamente subnotificado, e a prevalência real tende a ser ainda maior. É quando percebemos a dimensão da cultura do silêncio que permeia esses casos. Entre 78% e 84% das pessoas que presenciaram ou sofreram assédio optaram por não denunciar, e esse número, por si só, revela um risco psicossocial profundo ", afirma Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude.
O silêncio, diz ela, não nasce apenas do medo, mas também da descrença na efetividade dos canais de denúncia, da percepção de fragilidade institucional, da normalização de comportamentos abusivos e da inexistência de uma segurança psicológica mínima que permita às pessoas se posicionarem sem receio de retaliação.
O Censo utiliza o indicador IVSM (Índice Vittude de Saúde Mental), que consolida em um único número fatores de risco psicossocial, indicadores de saúde mental dos indivíduos e métricas de impacto no negócio, como sofrimento psíquico, burnout, segurança psicológica, ergonomia cognitiva, percepção de assédio e presenteísmo.
A ergonomia cognitiva é baseada em dois modelos clássicos da psicologia do trabalho, Demand–Control–Support (Karasek) e Effort–Reward Imbalance (Siegrist), que analisam a relação entre demanda e autonomia e entre esforço e recompensa no trabalho. Em uma escala que varia de -1 (crítico) a +1 (excelente), o índice agregado foi de 0,13.
Já a segurança psicológica é o indicador com maior correlação com os demais fatores de saúde mental e um elemento central para a eficácia organizacional. Os dados mostram que ambientes com alta segurança psicológica apresentam níveis praticamente inexistentes de burnout, mas, principalmente, maior capacidade de inovação, aprendizado e evolução contínua, uma vez que as pessoas se sentem seguras para propor ideias, questionar decisões, oferecer feedbacks francos e sinalizar riscos ou erros. Ainda assim, o índice médio foi de 67 (zona de atenção) e a distribuição revela que 45% das pessoas atuam em ambientes de baixa segurança psicológica. Esse contexto, afirma Tatiana, não se traduz apenas em risco psicossocial, mas em um impacto direto e negativo no negócio, ao inibir a troca aberta, reduzir a qualidade das decisões, enfraquecer a colaboração entre equipes e limitar a capacidade da organização de inovar e se adaptar em cenários de mudança.
Quanto ao presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas com capacidade reduzida de executar suas atividades devido a sintomas físicos, emocionais ou cognitivos, o índice foi de 32%. Do ponto de vista financeiro, isso revela que as empresas desperdiçam, em média, 32% da folha de pagamento em capacidade produtiva não utilizada.
Para a CEO da Vittude, os achados reforçam a necessidade de tratar a saúde mental como prioridade estratégica. "É um chamado à ação, fundamentado em números, para que líderes compreendam o impacto de suas decisões e adotem práticas que protejam as pessoas e fortaleçam seus negócios”, finaliza.
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