Falar de saúde mental ainda é tabu tanto para pessoas com deficiência como neurodivergentes
Especialista dá orientações para as empresas lidarem com o bloqueio e atenderem às exigências da NR-1
Mesmo com os avanços nas discussões, falar de saúde mental no ambiente corporativo ainda se traduz em dificuldade para algumas pessoas. Segundo a pesquisa Radar da Inclusão 2025, realizada pela consultoria Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, 77% dos profissionais com deficiência e neurodivergentes não se sentem totalmente à vontade para conversar sobre o assunto com as lideranças e com o RH. O dado ganha peso extra diante das mudanças na NR-1, que tornou obrigatória a gestão dos riscos psicossociais no trabalho.
"A NR1 vai exigir que riscos como assédio moral, discriminação, sobrecarga emocional e capacitismo sejam formalmente considerados pelas empresas. Isso significa que situações antes vistas como culturais – como a invisibilização de competências, a ausência de suporte adequado ou a falta de acessibilidade – passam a ser tratadas como riscos à integridade psicossocial dos colaboradores", destaca Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir.
Para ajudar as empresas a cumprirem as novas exigências, Carolina elencou cinco dicas fundamentais de prevenção à saúde mental dos colaboradores:
- Capacitar as lideranças: treinamentos específicos ajudam os gestores a identificarem riscos psicossociais e a conduzir equipes com empatia e responsabilidade, considerando as realidades das pessoas com deficiência.
- Criar políticas anticapacitistas: ter diretrizes bem definidas previne comportamentos discriminatórios e garante um ambiente de respeito e equidade.
- Escutar ativamente os colaboradores: canais seguros e acolhedores de escuta favorecem o compartilhamento de necessidades, desafios e sugestões, fortalecendo a confiança nas relações de trabalho.
- Realizar avaliações periódicas: pesquisas de clima organizacional e monitoramento constante ajudam a detectar e prevenir riscos emocionais.
- Garantir adaptações personalizadas: promover ajustes físicos e emocionais de acordo com as necessidades de cada profissional com deficiência é essencial para assegurar bem-estar e pertencimento.
"A nova NR1 é um marco para consolidar práticas mais humanas e responsáveis nas empresas. A segurança emocional é um pilar fundamental para que as pessoas com deficiência possam desenvolver seu potencial, sentir-se valorizadas e permanecer nas organizações de forma sustentável", afirma Carolina.
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