A ética do cuidado e os riscos invisíveis do trabalho
Por Juliana Beretta, Coordenadora de Sustentabilidade e Impacto da Embracon
Os números relacionados ao adoecimento mental no trabalho vêm crescendo e mobilizando organizações de diferentes setores. Embora o sofrimento seja vivido individualmente, suas causas muitas vezes estão relacionadas ao contexto em que o trabalho acontece. Quando falamos de riscos psicossociais, falamos de fatores como sobrecarga, baixa autonomia, insegurança, relações fragilizadas e dificuldades de participação nas decisões.
Essa discussão ganha profundidade quando observada pela lente da ética do cuidado. Essa perspectiva parte de uma ideia simples: ninguém sustenta sua vida sozinho. Somos seres interdependentes e dependemos de redes de apoio, colaboração e confiança para viver, aprender e trabalhar. O cuidado, portanto, não é uma exceção nem uma resposta emergencial ao sofrimento. É uma condição que torna a vida possível.
Nas organizações, isso significa compreender que o cuidado não deve estar restrito à atuação de uma liderança ou a iniciativas de bem-estar. Trata-se de uma responsabilidade coletiva que precisa estar presente na forma como desenhamos estruturas, distribuímos responsabilidades e tomamos decisões. Afinal, toda decisão organizacional produz impactos sobre pessoas e relações.
Talvez a principal contribuição da ética do cuidado seja a mudança das perguntas que orientam a gestão. Em vez de perguntar apenas quais metas devem ser alcançadas ou quais regras devem ser seguidas, somos convidados a refletir: quem está mais vulnerável diante desse contexto? Quem absorve os custos invisíveis dessa forma de trabalhar? Como podemos responder de maneira responsável às necessidades que surgem nas relações humanas?
Durante muito tempo investimos na construção de organizações mais eficientes, rápidas e produtivas. Talvez agora seja o momento de dedicar a mesma atenção às relações que sustentam essa produtividade. Porque empresas sustentáveis não são apenas aquelas que entregam resultados. São aquelas capazes de proteger, sustentar e dignificar as pessoas que tornam esses resultados possíveis.
Sobre a Embracon
A Embracon está há mais de 38 anos no mercado de consórcios e já entregou mais de meio milhão de bens. A empresa é autorizada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e associada à ABAC (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios). A empresa possui 90 filiais próprias, 125 franquias e mais de 1.000 parceiros de negócios, considerando, varejistas, institucionais, montadoras, cooperativas de crédito, bancos, empresas de máquinas agrícolas e mais de 3.500 mil colaboradores celetistas.








