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27/08/2026 - 10h21 Artigos

Cada desligamento leva embora um patrimônio que poucas empresas conseguem recuperar

O desenvolvimento de pessoas precisa ser tratado como estratégia de preservação de patrimônio


Por Vinicius Arakaki*

 

Quando uma pessoa deixa uma empresa, normalmente a primeira preocupação está relacionada ao impacto mais visível, como a posição que ficará aberta, o tempo necessário para encontrar um substituto e os custos envolvidos em uma nova contratação. Mas existe uma perda menos perceptível e, muitas vezes, muito mais valiosa, que é o conhecimento que vai embora junto com aquele profissional.

 

Toda pessoa que passa anos dentro de uma organização acumula um patrimônio invisível. São processos que aprendeu a executar, decisões que sabe tomar, atalhos construídos pela experiência, relacionamentos desenvolvidos e uma compreensão profunda de como as coisas realmente funcionam no dia a dia.

 

O conhecimento que não está nos manuais

Esse conhecimento raramente está escrito em manuais, ele vive apenas nas pessoas. Quando um profissional deixa a empresa, saem também histórias, aprendizados e contextos que levaram anos para ser construídos. O problema é que muitas organizações ainda enxergam desenvolvimento de pessoas como um benefício ou uma iniciativa de engajamento, quando na prática, ele precisa ser tratado como uma estratégia de preservação de patrimônio.

 

Um estudo recente da Gartner, empresa global de pesquisa e consultoria, revela que a perda de conhecimento institucional está entre os principais riscos associados à saída de profissionais experientes, especialmente em um cenário de alta rotatividade e transformação acelerada dos negócios. A dificuldade não é apenas substituir o colaborador, mas recuperar todo o conhecimento acumulado por ele.

 

Esse desafio ganha ainda mais relevância em um mercado em que as mudanças acontecem em uma velocidade cada vez maior, com tecnologias surgindo, modelos de negócio sendo transformados e novas competências passando a ser exigidas rapidamente. Nesse cenário, empresas que não conseguem aprender continuamente acabam dependendo sempre de novas contratações para evoluir.

 

Mas contratar novos talentos não resolve tudo, uma organização pode trazer excelentes profissionais, mas eles também precisarão reconstruir conhecimentos que já existiam internamente.

 

De conhecimento individual a inteligência coletiva

Por isso, o futuro das empresas estará cada vez mais ligado à capacidade de transformar conhecimento individual em inteligência coletiva. Isso significa criar ambientes em que as pessoas tenham espaço para compartilhar experiências, registrar aprendizados, ensinar colegas e construir uma cultura de aprendizagem contínua.

 

A pesquisa Workplace Learning Report 2025, realizada pelo LinkedIn, mostrou que  para 49% dos profissionais o aprendizado contínuo é essencial para lidar com mudanças no trabalho, enquanto empresas continuam buscando formas de desenvolver competências internas diante da escassez de talentos.

 

Isso revela uma mudança importante, em que aprender deixou de ser uma etapa da carreira e passou a ser parte da própria estratégia de sobrevivência das organizações. Investir no desenvolvimento dos colaboradores também é uma forma de reduzir um dos maiores custos invisíveis das empresas, que é o esquecimento. Cada profissional treinado, cada experiência compartilhada e cada conhecimento documentado aumenta a capacidade da organização de evoluir independentemente de quem esteja ocupando determinada função.

 

A mobilidade profissional faz parte de qualquer mercado saudável, o ponto é garantir que quando alguém seguir um novo caminho, a organização não perca tudo aquilo que foi construído durante sua jornada.

 

As empresas costumam medir seus ativos em equipamentos, tecnologia, marcas e dados, mas a capacidade de aprender é um ativo fundamental que nem sempre aparece nos balanços.

 

No futuro, as organizações mais competitivas serão aquelas capazes de transformar conhecimento em um patrimônio coletivo, porque pessoas podem sair, mas o aprendizado que elas deixam precisa permanecer.

 

*Vinicius Arakaki é cofundador e diretor da Edusense

 

 

Foto: Divulgação/Edusense

 

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