Metade das empresas leva de 16 a 30 dias para preencher uma vaga
Pesquisa também aponta que 42,4% dos RHs entrevistam pelo menos sete candidatos antes de efetivar a contratação
Preencher uma vaga leva de 16 a 30 dias para 50% das empresas brasileiras, 31% conseguem concluir uma contratação em até 15 dias, 19% precisam de 31 a 45 dias e 8,8% ultrapassam esse prazo. O levantamento, realizado pela plataforma Pandapé, mostra, ainda, 42,4% dos RHs entrevistam pelo menos sete candidatos antes de chegar à decisão final.
"Nem todo processo mais longo é necessariamente ineficiente. Algumas posições exigem avaliações técnicas, entrevistas com diferentes lideranças e validações específicas”, opina Thomas Costa, diretor de Growth da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé. O ponto de atenção, ressalta ele, está nas etapas que deixam de gerar valor para a decisão, como esperas entre aprovações, desalinhamentos sobre o perfil da vaga ou atrasos na tomada de decisão.
A quantidade de candidatos avaliados também mostra a complexidade do recrutamento. Para 44,2% das empresas, é necessário entrevistar de quatro a seis profissionais antes da contratação; outros 25% conversam com sete a dez candidatos e 17,4% entrevistam mais de dez pessoas. Apenas 18,3% conseguem preencher uma vaga após entrevistar no máximo três profissionais.
Segundo Thomas, entrevistar um número maior de candidatos não é, por si só, um sinal de ineficiência. O objetivo, diz ele, não deve ser entrevistar o menor número possível de pessoas, mas garantir que os candidatos cheguem a essa etapa com aderência real à vaga. “Quando a triagem é bem estruturada, a entrevista deixa de ser um filtro inicial e passa a ser um momento de aprofundar a avaliação e apoiar uma decisão mais consistente."
Quando compararam o cenário atual ao de um ano antes, 30,7% dos participantes afirmaram que o tempo de contratação aumentou. Para 41,8%, o prazo permaneceu igual e 28,9% disseram que a empresa passou a contratar em menos tempo. De acordo com o especialista da Redarbor, o tempo de contratação não depende apenas do mercado. Muitas vezes, o maior gargalo está dentro da própria empresa: na aprovação da vaga, na definição do perfil, na disponibilidade dos gestores para entrevistar ou no intervalo entre uma etapa e outra. Medir onde o processo perde velocidade é tão importante quanto acompanhar o prazo total.
As posições operacionais são as que costumam levar mais tempo para serem preenchidas, segundo 33% dos participantes. Já os cargos de liderança e gestão ficaram com o segundo lugar, apontados por apenas 17,4%, à frente de vagas administrativas (16,5%), posições comerciais e especialistas (8% cada) e tecnologia (5,4%).
O resultado mostra que a dificuldade para contratar não está restrita a cargos de alta especialização. Vagas operacionais, que frequentemente exigem contratações em volume e prazos reduzidos, também representam um desafio para as equipes de recrutamento.
Thomas chama a atenção que os desafios de contratação variam de acordo com a vaga. Em posições operacionais, fatores como localização, escala de trabalho, remuneração e disponibilidade influenciam diretamente a oferta de candidatos aderentes, enquanto cargos de liderança costumam exigir mais etapas e o envolvimento de diferentes tomadores de decisão. Quanto mais claro for o papel de cada etapa do processo, maior tende a ser a eficiência da contratação.
Para tornar a contratação mais eficiente, ele recomenda revisar periodicamente o desenho do processo seletivo, definindo previamente quais competências serão avaliadas em cada etapa e evitando entrevistas repetitivas ou sem um objetivo claro.
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