Como a IA está transformando a experiência do colaborador?
Diretor de RH da Medtronic conta como a área une tecnologia e humanidade na interação com o colaborador
Por Guilherme Queiroz*
Vivemos um momento em que a Inteligência Artificial permeia todas as discussões sobre o futuro do trabalho. No entanto, o debate não deve se limitar a como usamos a IA, mas sim a como a utilizamos para criar experiências melhores para as pessoas, pois a verdadeira transformação digital não se sustenta apenas na adoção de uma nova ferramenta. Ela está fundamentada na confiança. Por isso, para que a IA seja amplamente adotada e traga resultados positivos, nossos colaboradores precisam confiar nas informações que recebem.
É exatamente nesse contexto que introduzimos em Recursos Humanos nosso assistente virtual HRmony, uma ferramenta conectada exclusivamente a conteúdos oficiais e processos estruturados da companhia, que opera em um ambiente seguro para garantir a consistência das respostas e a total proteção dos dados pessoais.
Disponível de forma integrada ao Microsoft Teams, o HRmony não é apenas um repositório de respostas automáticas. Ele representa uma nova forma de interação com o RH: mais acessível, imediata e personalizada. Quando um colaborador precisa consultar o saldo do banco de horas, entender regras de benefícios, localizar políticas internas, tirar dúvidas sobre a folha de pagamento ou buscar orientações sobre a avaliação de desempenho, a IA atua como uma facilitadora. Ela entrega a informação quando o profissional precisa e no idioma em que ele se sente mais confortável, reduzindo drasticamente a complexidade do dia a dia corporativo.
Apesar de todo o avanço tecnológico, é imperativo reforçar: a inteligência artificial não substitui a inteligência humana. Ferramentas de IA são aliadas poderosas para organizar informações e automatizar tarefas repetitivas, mas a empatia, a colaboração, a liderança e a tomada de decisão continuam sendo habilidades essencialmente humanas.
Não podemos nos tornar reféns das ferramentas digitais. O olho no olho, o relacionamento genuíno, a conexão entre equipes e o nosso próprio discernimento são imprescindíveis. A IA deve ser usada como um complemento valioso, mas nunca como uma justificativa para terceirizar o nosso trabalho, as nossas reflexões ou o nosso pensamento crítico. Quando a tecologia direciona uma questão mais complexa ou sensível para o entendimento humano, ela está nos dizendo que ali começa o papel da empatia que máquina nenhuma consegue replicar.
A adoção responsável da Inteligência Artificial exige de todos nós um aprendizado contínuo. Precisamos capacitar nossas equipes, desenvolver novas habilidades digitais e fomentar uma cultura de experimentação, para que a tecnologia seja utilizada de forma consciente e estratégica.
Repensar a Inteligência Artificial no ambiente corporativo é entender, em essência, que a inovação e a humanidade caminham juntas. A tecnologia tem o poder de transformar processos e otimizar rotinas, mas são as pessoas, com suas vivências, criatividade e empatia, que transformam as organizações.
Na Medtronic, temos uma premissa fundamental que guia nossos passos: a inovação só gera valor real quando melhora a experiência humana. Se a nossa missão global é utilizar a tecnologia para aliviar a dor, restabelecer a saúde e prolongar a vida dos pacientes, dentro de casa, aplicamos essa mesma lógica para cuidar das nossas pessoas. A tecnologia deve simplificar jornadas, eliminar barreiras e permitir que nossos colaboradores tenham mais tempo e energia para se dedicar ao que realmente importa: atividades estratégicas, criativas e de alto impacto social.
Nosso compromisso é continuar trilhando essa jornada, utilizando a inovação para simplificar processos e conectar indivíduos, garantindo que nossas equipes possam dedicar sua energia ao propósito maior de gerar um impacto positivo na vida das pessoas.
* Guilherme Queiroz é diretor de Recursos Humanos para a Medtronic na América Latina








