Quatro perfis ajudam a explicar como trabalhadores lidam com o dinheiro
Renda não explica sozinha saúde financeira dos colaboradores, aponta estudo inédito da Serasa Experian
Profissionais com níveis semelhantes de renda podem apresentar realidades financeiras bastante diferentes. Essa é uma das principais conclusões da edição 2026 da pesquisa Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores, da Serasa Experian, que ouviu 1.008 profissionais e, pela primeira vez, os dividiu em quatro perfis de acordo com a maneira como lidam com dinheiro, consumo, crédito e planejamento.
O levantamento identificou os grupos “Apertados”, “Vivem o Agora”, “Organizando o Futuro” e “Consolidados”. As diferenças aparecem em indicadores como capacidade de poupar, inadimplência e percepção de controle financeiro. Enquanto apenas 13% dos “Apertados” conseguem guardar dinheiro regularmente, entre os “Consolidados” esse percentual chega a 85%. Na média da amostra, 52% dos trabalhadores afirmam poupar pensando no futuro.

Um dos achados que ajudam a colocar esses números em perspectiva é a comparação entre os “Apertados” e aqueles que estão “Organizando o Futuro”. Embora os dois grupos tenham distribuição semelhante entre profissionais com renda individual de dois a quatro salários mínimos, apresentam condições distintas para administrar o orçamento e os compromissos financeiros. O resultado indica que a renda é relevante, mas não suficiente para explicar o nível de bem-estar financeiro,
O recorte por gênero também chama a atenção. As mulheres representam 70% dos trabalhadores classificados como “Apertados”, grupo que enfrenta maior pressão financeira. Elas também são maioria entre os que estão “Organizando o Futuro” (61%) e entre os “Consolidados” (56%). Apenas no perfil “Vivem o Agora” há predominância masculina: os homens correspondem a 52% do grupo, ante 48% de mulheres.
Para o RH, a segmentação pode contribuir para uma compreensão mais ampla das necessidades da força de trabalho. Em uma mesma empresa, profissionais com remuneração semelhante podem enfrentar diferentes níveis de pressão financeira, capacidade de planejamento e dependência do crédito. Esse olhar pode ajudar na construção de iniciativas de educação financeira e benefícios mais aderentes às diferentes realidades dos colaboradores, em vez de considerar apenas critérios como renda, idade ou região.
A pesquisa também aponta a presença da inteligência artificial na gestão das finanças pessoais: 60% dos entrevistados já recorreram à tecnologia para esclarecer dúvidas financeiras e 74% afirmam que confiariam nela como apoio para decisões nessa área.
Foto de abertura: Shutterstock








