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09/11/2021 - 10h22 Publieditorial

A pandemia e a evolução do “homo officium”

Confira mais um artigo escrito por Marcelo Nóbrega exclusivamente para a unico


 

 

Por Marcelo Nóbrega*

 

Uma das pérolas do mundo corporativo, o “ah, aqui sempre fizemos assim”, partiu sem deixar saudade na esteira da Covid-19. Estamos há quase dois anos fazendo tudo diferente. O home office foi institucionalizado. De forma intempestiva e um tanto atrapalhada, é verdade, mas foi. Em questão de dias, assistimos à flexibilização de várias regras, políticas e ways of working, que em grande parte estavam a serviço da manutenção do status quo de negacionistas do futuro. 

 

Eu acredito que o experimento home office deva causar o amadurecimento da força de trabalho. Sinto que as pessoas estão se dando conta de que são mais capazes, autônomas e independentes do que imaginavam. Se antes íamos a fábricas ou escritórios porque era lá que estavam os bens e insumos de produção, hoje isso não faz o menor sentido. Os itens de produção agora são portáteis, pelo menos para os que têm o escritório como habitat, os “homo officium”. E essa espécime descobriu que pode trabalhar de qualquer lugar e para quem quiser.

 

Mas pergunto: agora que as restrições de mobilidade estão sendo afrouxadas e poderemos voltar aos escritórios, será que queremos? Vamos nos sentir seguros? E os perks aos quais nos acostumamos?

 

Se na adoção em massa do trabalho a distância ficamos devendo muito em termos de gestão da mudança, agora teremos a oportunidade - e o dever! - de conduzir a desmobilização do home office ou o retrofit dos escritórios. De forma ordenada, segura e respeitosa.

 

O retorno ao escritório requer gestão da mudança. 

 

É óbvio que o novo modelo de trabalho será híbrido. Sabemos que vai ter gente tentando inutilmente normatizar a flexibilização trazida pelo work from anywhere. Já possuímos evidências de que a inovação, criatividade, colaboração e aprendizagem sofreram com o distanciamento. Portanto, o desafio para as empresas está posto. Não é um mero acender das luzes. Muita coisa aconteceu ou mudou durante a quarentena. E a ameaça à nossa saúde permanecerá, enquanto não houver um antídoto definitivo.

 

Qual será a função do escritório nesse futuro-presente?

 

Ora, propiciar aquilo que o home office não consegue!

 

Para o trabalho individual, isso significa tranquilidade, conforto, acesso a recursos e insumos, facilidades e potencializadores de produtividade. Neste novo momento, eu só vou considerar sair de casa se tiver a certeza de que o ambiente de trabalho me oferecerá zonas de silêncio, espaços com diferentes configurações que permitam adequação aos estilos reflexivo, visual, auditivo, sinestésico. Um lugar com disponibilidade de equipamentos, como câmeras, gravadores, telões, paredes rabiscáveis e móveis bem confortáveis. Além disso, a decoração deve reproduzir o aconchego do lar, com luminosidade e ar-condicionado ajustáveis, vegetação e acesso a janelas. 

 

Grandes empresas e condomínios comerciais poderão oferecer comodidades, como refeitório e concierges, que cuidem de alguns afazeres do dia a dia. Da lavanderia às compras, passando por serviços como banco, oficina de bicicletas, costureira e barbeiro.

 

Também imagino prateleiras com equipamentos de computação (fones de ouvido, pen drives, carregadores) e outros eletrônicos (ring light) à disposição, self-service mesmo, para quem precisar. É mais barato do que perder a produtividade do funcionário que esqueceu algum acessório em casa.

 

O escritório será um ponto de encontro seguro para o trabalho colaborativo. Sem lugares marcados. E tudo isso com espaços modularizados que permitam encontros de números diferentes de pessoas. Todo escritório será um espaço de coworking, disponível 24x7. Afinal de contas, qual a diferença entre dia útil, inútil, fim de semana, folga, feriado? A semana começa no domingo ou segunda? Iremos ao novo escritório no dia e horário da nossa preferência. Entraremos e sairemos quando quisermos por meio de um sistema de reservas. Notívagos e madrugadores terão, finalmente, o seu relógio biológico respeitado.

 

O escritório central, ou o head office, diminuirá de tamanho, mas surgirão redes de escritórios satélites multiempresa nas áreas residenciais das empresas com todas as praticidades do escritório central. E com a vantagem de diminuir o deslocamento. Será que o trânsito das grandes cidades diminuirá?

 

Conforto, usabilidade e praticidade viabilizados por muita tecnologia: QR Code, bluetooth, apps de fluxo de trabalho, comunicação e colaboração.

 

Todos esses exemplos citados não serão mais tratados como símbolos de status. Símbolos de status, aliás, não terão mais vez. O imperativo passa a ser a configurabilidade do ambiente. Diferentes gostos e necessidades precisam ser atendidas.

 

Saia da caixa, cubículo ou baia. Ganhe a liberdade. Evolua ou seja extinto, caro homo officium!

 

 

*Do mercado financeiro à gestão de pessoas, Marcelo Nóbrega é um executivo inquieto que gosta de fazer a diferença, tanto para o negócio, quanto para as pessoas. Liderou a área de RH de grandes multinacionais. É autor do livro "Você está contratado!", professor universitário, palestrante, coach, mentor, conselheiro e investidor anjo de HR Techs, âncora do programa Transformação Digital e cohost do Kenobycast e escreve para os blogs da Gestão RH e HSM Management. Entre outros reconhecimentos pela sua atuação, em 2018 foi eleito o RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn.

 

 

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Foto de abertura: Alessandro Couto

 

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