Programa da Zurich Seguros de flexibilização do trabalho passa por amadurecimento
Criada no pós-pandemia, iniciativa ganhou regras, critérios de participação e 36 adesões até o momento
A possibilidade de trabalhar de qualquer lugar definitivamente faz parte da rotina de muitos profissionais: 83% dos brasileiros consideram essa flexibilidade um fator importante para permanecer em seus empregos, de acordo com o relatório Business Travel Outlook: How to navigate a new era of disruption (Perspectivas do setor de viagens: como navegar em uma nova era de disrupção), feito neste ano pelo Grupo Zurich e pela World Travel Protection.
Segundo o estudo, que ouviu 4 mil viajantes corporativos em oito países, esse movimento acompanha uma tendência global: o avanço do chamado bleisure –combinação entre compromissos profissionais e a agenda pessoal em uma mesma viagem. O relatório confirma essa dinâmica: 57,8% dos brasileiros planejam trabalhar do exterior durante uma viagem pessoal em 2026.
Dados como esses refletem uma mudança nas expectativas dos profissionais, que buscam mais autonomia para conciliar trabalho, vida pessoal e experiências fora do ambiente corporativo tradicional. Ao mesmo tempo, empresas lidam com o desafio de estruturar essa flexibilidade sem comprometer a produtividade e a segurança das operações.
Há quatro anos, a própria Zurich Seguros traduziu essa demanda em benefício para os colaboradores. Criado a partir dos aprendizados do período de pandemia, o Trabalho Sem Fronteiras permite atuar de qualquer lugar do Brasil ou do exterior por até 25 dias úteis ao ano, mantendo as atividades e conexão com a equipe, mediante o alinhamento prévio com a liderança e o cumprimento das diretrizes da iniciativa.
O programa passou por um processo de amadurecimento, com a definição de regras, critérios de participação e maior integração ao modelo de trabalho da empresa. Isso permitiu que a flexibilidade fosse aplicada de forma organizada, inclusive em situações como períodos com familiares, realização de cursos no exterior ou experiências culturais, sempre considerando aspectos como continuidade das atividades e requisitos de segurança.
De acordo com Carlos Toledo, diretor executivo de Pessoas & Cultura da seguradora, a iniciativa está ligada à evolução do modelo de trabalho da companhia. “A experiência recente mostrou que flexibilidade e desempenho podem caminhar juntos. O Trabalho Sem Fronteiras faz parte dessa evolução e reforça a forma como a empresa olha para a questão do engajamento”, pontua.
O Trabalho Sem Fronteiras passou a integrar a estratégia de pessoas da empresa, que também inclui jornada híbrida, horários flexíveis e foco em resultados. Até o momento, 36 colaboradores aderiram.
NA PRÁTICA
Para muitos profissionais, a possibilidade de trabalhar de outro local permite conciliar objetivos pessoais e profissionais de forma mais integrada. Géssica Silva, analista de Produto e Governança da empresa, conta que, com o programa, passou um período em Buenos Aires, onde fez um intercâmbio intensivo de espanhol.
“Eu já estudava espanhol há alguns anos, mas viver em Buenos Aires, tendo aulas e usando o idioma no dia a dia, acelerou muito esse processo. Foi uma experiência muito rica, porque além das aulas, eu convivi com pessoas de diferentes países, precisei me comunicar o tempo todo e isso traz uma evolução que não acontece da mesma forma quando estamos apenas estudando”, afirma.
Ela também comenta que a vivência ampliou muito sua visão de mundo. “Conhecer novas culturas, entender outras formas de pensar e se comunicar traz aprendizados que levamos para a vida e também para o ambiente profissional. Isso contribui para uma troca mais rica dentro da empresa e para o desenvolvimento de novas habilidades.”
Outro exemplo é o de Gabriela Romão, analista de Comunicação Corporativa, que passou um período no Peru e acompanhou a final de um campeonato de futebol fora do Brasil, um desejo antigo. “Sempre tive vontade de viver uma experiência internacional de forma mais profunda, como uma moradora, não apenas como visitante. O Trabalho Sem Fronteiras me permitiu fazer isso e ainda realizar um sonho pessoal, que era acompanhar uma final de futebol fora do Brasil, algo que faz parte da minha história e da minha relação com a minha família”, conta.
Nesse período, Gabriela conciliou a rotina profissional com a vivência local. “Eu ajustei meus horários para manter o alinhamento com o time no Brasil e consegui organizar minha rotina de forma muito produtiva. A flexibilidade da jornada ajudou bastante, porque consegui manter minhas entregas e, ao mesmo tempo, aproveitar a cidade, conhecer a cultura e viver essa experiência de forma completa.”
Ela conta, ainda, que o principal aprendizado foi relacionado à dinâmica de trabalho. “Foi um período importante para entender como trabalhar à distância sem perder a conexão com o time. Isso exige organização, comunicação e confiança. Quando isso acontece, o modelo funciona muito bem e fortalece ainda mais a parceria entre as pessoas.”
A experiência se estende às lideranças. O próprio executivo de Pessoas utilizou o benefício em uma viagem recente à China. “Tive aprendizados importantes tanto do ponto de vista cultural quanto profissional. A diferença de fuso horário exigiu planejamento e adaptação da rotina, mas, mesmo assim, consegui manter uma excelente conexão com a equipe no Brasil, participar das reuniões e dar continuidade às atividades com fluidez, sem comprometer a governança da área.”
Essas experiências refletem um movimento mais amplo, em que a capacidade de trabalhar de forma distribuída passa a exigir novas formas de colaboração, alinhamento e gestão do tempo, sem perder a proximidade entre as equipes. “Quando conseguimos equilibrar autonomia com regras claras e suporte adequado, criamos um ambiente em que as pessoas podem performar bem e, ao mesmo tempo, se desenvolver. Isso fortalece o vínculo com a empresa, além de contribuir para uma cultura mais autônoma e orientada a resultados", conclui Carlos.
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