ABB aplica IA em R&S com abordagem humanizada
Empresa usa tecnologia, mas mantém recrutadores à frente das decisões e da interação com candidatos
A ABB, provedora de tecnologia de eletrificação e automação com cerca de 1.600 colaboradores só no Brasil, decidiu usar a IA nos processos de recrutamento para ampliar a busca por talentos e otimizar tarefas, mantendo sob responsabilidade dos profissionais de RH as decisões e o contato com os candidatos. Foi a partir dessa decisão que foi criado o agente de IA Talent Acquisition Buddy.
Marcello Cordal, recrutador sênior e parceiro de aquisição de talentos da companhia, conta que, desde as primeiras discussões sobre como aplicar IA aos processos de RH, ficou claro que a tecnologia deveria automatizar tarefas, oferecer insights e recomendações, sem substituir as decisões dos recrutadores, que seguiriam responsáveis pelo contato com os candidatos e pela condução da seleção.
Por ter a maior parte dos colaboradores composta de engenheiros especializados na automação e eletrificação de processos produtivos, muitas vezes, a atuação se dá em posições de campo, às vezes em lugares remotos. Encontrar profissionais com os requisitos necessários e dispostos a essa condição era um desafio. De acordo com Marcello, o desafio seria ainda maior se o processo seletivo fosse impessoal.
No início de 2026, a ABB lançou uma iniciativa interna para aplicar IA a diferentes processos de gestão. Foi quando ele começou a desenvolver o Buddy.
A IA foi treinada nos processos de recrutamento da ABB. Também recebeu informações de recrutadores e gestores contratantes sobre requisitos das vagas, perfil de candidatos disponíveis, empresas e instituições de onde poderiam vir futuros colaboradores, além de particularidades regionais. A ideia era que a ferramenta ajudasse a montar a estratégia de busca, definindo áreas de busca e palavras-chave para cada posição.
O passo seguinte foi programar as funcionalidades. O Buddy agora redige anúncios de vagas e ajuda os recrutadores a identificar vieses. Elabora roteiros de entrevistas, com perguntas para avaliar as competências de cada posição. Escreve mensagens para gestores e candidatos, respeitando o momento de cada seleção. A IA, no entanto, não faz envios automáticos e publicações. A revisão da produção fica a cargo do recrutador.
O agente também cria expressões de busca para o LinkedIn localizar candidatos com as competências desejadas e de perfil diverso. Compila entrevistas preliminares em briefings de candidatos para o gestor responsável pela contratação, liberando tempo para a equipe de recrutamento se concentrar na estratégia de seleção.
Outra funcionalidade é gerar cronogramas de cada seleção, para o acompanhamento dos gestores contratantes e do time de recrutamento. O Buddy também tira dúvidas de contratantes e recrutadores, produzindo respostas em linguagem natural, com base nas diretrizes internas da ABB para recrutamento ou promoções.
Marcello conta que, em um dos processos seletivos, para uma vaga de campo, o apoio da ferramenta permitiu encontrar um leque mais amplo de profissionais com o perfil buscado, entre eles um número maior de mulheres. "Esse resultado foi possível porque a IA permitiu ampliar o alcance da nossa intencionalidade."
Agora ele trabalha numa atualização do agente para otimizar a busca no banco de dados de candidatos que em algum momento se inscreveram em seleções da ABB. Hoje, a busca nessa base é manual. A ideia é que a IA busque perfis e ajude a alimentá-la, sempre observando os requisitos da LGPD.
A iniciativa ganhou reconhecimento em um prêmio interno da ABB como uma das melhores soluções para aquisição de talentos desenvolvidas por colaboradores. Outras subsidiárias da ABB no mundo já manifestaram interesse em adotá-la.
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