Onboarding lidera uso de inteligência artificial no RH
Em fase de transição, RH passa de executor operacional para orquestrador de processos, diz CHRO
A aplicação real da inteligência artificial já ocupa o departamento de Recursos Humanos das empresas, de acordo com um levantamento da plataforma de IA Pipefy no primeiro semestre. Na análise realizada na base de clientes da empresa, os três principais casos de uso de IA no RH são processos de onboarding de colaboradores (20%), recrutamento (19%) e gestão de licenças (11%). O levantamento mostra que a aplicação da IA aparece, principalmente, em processos marcados pelo alto volume de dados desestruturados, documentos em PDF, planilhas e e-mails, que precisam ser lidos e conferidos antes de qualquer registro.
Para Daniela Catalan, CHRO da Pipefy, o papel do profissional de RH vive um momento de transição, deixando de ser um executor operacional e passando a ser um orquestrador de processos. "Nesse novo modelo de tarefas com agentes de IA, a tecnologia processa todos os dados, estruturados ou desestruturados, para acelerar a análise, enquanto o profissional atua como o validador final das decisões, garantindo que os critérios de negócio sejam respeitados em cada etapa e as pessoas atuem de forma cada vez mais estratégica", diz a executiva.
Entre a expectativa e a realidade
A presença da IA em práticas do RH contrasta com o que o mercado enxerga de oportunidades para o departamento. Em estudo que a Pipefy conduziu com 148 empresas do Brasil e dos Estados Unidos, também no primeiro semestre, apenas 6% dos respondentes brasileiros mencionam o RH como área de maior potencial de aplicação da IA, atrás da análise de dados (34%) e do atendimento ao cliente (22%).
Autonomia e supervisão: o humano segue decidindo
Mesmo com a IA avançando nos processos de RH, as empresas participantes da pesquisa não enxergam a tecnologia substituindo o profissional: 78% apontam o colaborador humano no papel de "orquestrador e validador", a IA continua processando e cruzando dados, e o humano revisa exceções e toma as decisões. No extremo oposto, apenas 2% defendem a substituição operacional completa pela tecnologia.
Além disso, a delegação de funções aos agentes de IA está associada a critérios de governança: 49% das empresas afirmam que se sentiriam confortáveis ao delegar funções a um agente de IA se a solução seguisse regras definidas e auditáveis.
De acordo com Daniela, a presença da IA em processos que sustentam a operação de RH não é mais uma promessa. "Os processos de onboarding, contratação e licenças têm o que a tecnologia precisa para entregar resultado rápido: alto volume de trabalho, regras claras definidas e muito documento para ler antes de qualquer tomada de decisão. Enquanto o mercado projeta a IA para a vitrine, ela já está resolvendo o trabalho operacional que consome tempo do time de RH", afirma a executiva.
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