Líderes avançam no uso de IA, mas empresas ainda ficam para trás em capacitação e governança
Levantamento do Talenses Group mostra que 62% aprenderam a usar a tecnologia por conta própria
Enquanto o uso da inteligência artificial se consolida na rotina da liderança brasileira, as empresas ainda não conseguiram estruturar a capacitação necessária para sustentar essa transformação, de acordo com o levantamento Lideranças Orquestradoras na Era da IA, do Talenses Group.
Foram ouvidos 171 profissionais brasileiros , sendo 137 em posições de liderança e 64, de alta liderança; 52% apontaram a falta de conhecimento como o principal obstáculo à adoção da IA nas empresas, à frente de falta de investimento e de direcionamento da própria empresa.
"Isso mostra que o problema não é resistência ou desinteresse, é lacuna de capacitação mesmo. E aqui tem um ponto muito relevante: não existe um diagnóstico claro de quais são os principais gaps de conhecimento em IA, para depois desenhar um plano de desenvolvimento corporativo, e ao mesmo tempo individualizado", aponta Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital, consultoria do Talenses Group.
Essa lacuna também se manifesta na forma como os próprios líderes aprenderam a usar a ferramenta: 62% o fizeram por iniciativa própria e somente 24% receberam algum tipo de treinamento formal da empresa. Os 14% restantes afirmaram terem sido incentivados, mas aprenderam sozinhos.
Para Denise, o próximo passo da liderança brasileira já está claro. "É importante ressaltar que 65% dos líderes já entendem que a competência mais importante dos próximos anos será orquestrar o trabalho entre pessoas e IA. Não é só sobre dominar uma ferramenta, é sobre repensar em uma nova arquitetura de processos e times e, por fim, como tirar o melhor de agentes e humanos de forma sincronizada.”
A pesquisa mostra que os líderes brasileiros estão emocionalmente preparados e curiosos (72% sentem entusiasmo, 71% curiosidade). Entre as competências mais relevantes dos próximos anos, 58% citaram o desenvolvimento de talentos e 54% disseram ser governança, ética e uso responsável da IA.
O maior risco, na visão deles, é o descompasso entre velocidade e preparo – 31% consideram que acelerar a adoção da IA sem preparar pessoas e processos é o principal risco, e 19% temem investir em tecnologia sem desenvolver competências.
Não por acaso, 72% dos líderes defendem fortalecer a aprendizagem contínua como prioridade cultural das empresas, ainda que 39% admitam sentir medo de ficar para trás.
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