Tratamento inadequado de gestores é o principal motivo para jovens deixarem o emprego
Pesquisa da Fundação Itaú mostra os fatores que influenciam a relação da juventude brasileira com o trabalho
Uma pesquisa recente sobre a juventude no Brasil, realizada pela Fundação Itaú em parceria com o DataFolha e o Instituto Locomotiva, mostra que, entre os jovens que trabalham ou já trabalharam, a maioria (69%) já saiu de um emprego por vontade própria. Entre os principais motivos, 43% citaram falta de respeito ou tratamento inadequado de líderes ou chefes; 36%, jornadas longas ou acúmulo de funções; 32%, excesso de cobrança ou pressão por resultados; 28%, falta de oportunidade de crescimento ou de plano de carreira; e 16%, dificuldade de conciliar trabalho e estudo.
O estudo, que ouviu mais de 1.800 jovens entre 16 e 29 anos, também aponta preocupações relacionadas à entrada e à permanência no mundo do trabalho. Para 49%, a falta de experiência é a principal dificuldade para conseguir um emprego, seguida pela quantidade de pessoas que disputam uma mesma vaga (39%). Diante disso, indicações e conexões são percebidas como decisivas para concorrer a uma vaga de trabalho: 96% dos jovens acreditam que conhecer alguém em uma empresa ou ser indicado por familiares ou amigos é fator decisivo para conseguir um emprego atualmente, e 77% conseguiram seu emprego atual por meio de uma indicação.
Para eles, o salário é o fator mais importante na escolha de um trabalho, citado por 64% dos entrevistados. Benefícios, plano de carreira e ambiente de trabalho agradável vieram na sequência. Ao mesmo tempo, 62% afirmam que aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente com menos pressão e estresse.
No que diz respeito às percepções em relação às tecnologias, ainda que 97% usem a inteligência artificial e a internet para aprender e crescer profissionalmente, há uma preocupação com o futuro do mercado de trabalho: 90% acreditam que a IA vai poder eliminar muitas vagas de trabalho e 50% têm medo de perder espaço por conta dos avanços tecnológicos.
A educação e, principalmente, sua relação com a experiência prática também aparecem entre os resultados da pesquisa. Para 85%, o diploma é importante para conquistar trabalho. Para 91%, os cursos técnicos e profissionalizantes são o caminho mais rápido e eficiente para obter emprego.
Além disso, nove em cada dez jovens afirmam que a prática ensina mais do que os estudos e 60% acreditam que programas de apoio à inserção no mundo do trabalho devem contemplar cursos práticos, e não apenas teóricos, apontando uma demanda por ajustes na formação educacional que dialoguem com a realidade do mundo do trabalho.
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