Carreira linear perde força e profissionais adotam modelos flexíveis, aponta estudo global
Segundo levantamento da Randstad, a escada corporativa dá lugar às chamadas carreiras de portfólio
O modelo tradicional de carreira, baseado em progressões lineares e hierarquias rígidas, está perdendo força no mercado de trabalho. De acordo com o Workmonitor 2026, estudo global da Randstad, apenas 41% dos profissionais ainda desejam seguir uma trajetória tradicional e 72% dos empregadores afirmam que a chamada escada corporativa está ultrapassada.
Os dados mostram uma mudança estrutural na forma como os talentos encaram o trabalho e o desenvolvimento profissional. Em vez de buscar promoções sucessivas dentro de uma mesma função, cada vez mais profissionais constroem carreiras de portfólio, combinando diferentes experiências, funções, projetos e fontes de renda ao longo da vida profissional.
"O conceito de sucesso profissional deixou de ser uma progressão linear e passou a estar muito mais ligado à autonomia, ao aprendizado contínuo e à diversidade de experiências. As pessoas querem construir trajetórias que façam sentido para suas vidas, não apenas ocupar cargos mais altos", explica Diogo Forghieri, diretor de Negócios da Randstad Brasil.
Diversificação como estratégia
O estudo mostra que essa transformação já está em curso. Quatro em cada dez profissionais afirmam exercer uma segunda função e 38% desejam desempenhar diferentes tipos de trabalho ao longo da carreira. Além disso, 36% planejam aumentar suas horas de trabalho como resposta ao aumento do custo de vida, reforçando a busca por flexibilidade e múltiplas possibilidades de atuação.
Para as empresas, esse movimento exige uma revisão profunda dos modelos de gestão de talentos. Estruturas rígidas, cargos engessados e planos de carreira padronizados tendem a perder a atratividade em um cenário no qual profissionais valorizam mobilidade interna, projetos temporários e desenvolvimento baseado em habilidades.
Diogo afirma que as organizações que conseguirem oferecer caminhos mais flexíveis, baseados em skills e experiências, terão mais chances de atrair e reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
Novo papel dos líderes
A ascensão das carreiras de portfólio está diretamente ligada à valorização das habilidades em detrimento dos cargos. Segundo o estudo, os profissionais estão mais dispostos a investir em requalificação e aprendizado contínuo para manter sua relevância no mercado, enquanto as empresas enfrentam o desafio de mapear competências reais e criar ambientes que permitam essa mobilidade.
Nesse contexto, o papel da liderança também se transforma. Gestores diretos passam a ser fundamentais para orientar o desenvolvimento dos times, apoiar movimentos laterais e estimular trajetórias menos lineares, mas mais alinhadas às necessidades do negócio e aos objetivos individuais.
Para Diogo, o fim da carreira linear não significa falta de ambição, mas uma ambição diferente. “Trata-se de crescer de forma mais consciente, sustentável e conectada às transformações do trabalho."
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