Imagem da matéria Oito em cada dez líderes têm dificuldade em conduzir diferentes gerações, aponta levantamento
14/11/2023 - 11h18 Indicadores

Oito em cada dez líderes têm dificuldade em conduzir diferentes gerações, aponta levantamento

Engajamento é uma dor que virou crônica para as lideranças, afirma Mari Achutti, CEO da Sputnik


 

 

 

A relação entre diferentes gerações no ambiente de trabalho tem exercido um impacto notável no dia a dia das organizações. E isso tem exigido das lideranças uma visão mais direcionada e participativa, com abordagens mais flexíveis e inclusivas para atender às necessidades de suas equipes multigeracionais. Porém, 79%, ou seja, oito em cada dez, dizem ter dificuldade de liderar diferentes gerações. É o que mostra a segunda edição do Panorama de Sentimentos das Lideranças, criado pela escola corporativa Sptunik.

 

Ao longo do ano, foram ouvidos mais de 250 líderes de grandes empresas e, dentre vários diagnósticos apontados, estão a preocupação com ansiedade, autoconhecimento, e melhor equilíbrio entre vida pessoal e desenvolvimento profissional. O estudo mostrou, ainda, que 1/4 das lideranças consideram que "formas de desenvolver e engajar a equipe" são um horizonte nebuloso, seguido de "possibilidades de crescimento de negócio a longo prazo" (24,6%).

 

"Engajamento é uma dor que virou crônica entre as lideranças, mas é muito importante conectar isso também com o ambiente multigeracional. A geração Z, por exemplo, tem sido percebida como menos engajada que os millennials e baby boomers, pois é uma geração muito pautada pelo propósito, enquanto os 30+ costumam ser reconhecidos por sua dedicação incansável ao trabalho", destaca Mariana Achutti, CEO da Sputnik.

 

Hoje, prossegue ela, o chamado de quiet quitting pode, na realidade, trazer uma interpretação equivocada sobre os colaboradores. “Estamos lidando, na verdade, com uma geração que apenas está pedindo para seguir o job description, e considera démodé o perfil workaholic, mas não significa que não esteja engajada. Portanto, é crucial para os líderes entenderem essas nuances geracionais e adaptarem suas estratégias, reconhecendo que o sucesso e o comprometimento no trabalho estão mudando e exigindo uma abordagem mais flexível e personalizada", complementa.

 

CULTURA DA COLABORAÇÃO

Desde 2022, o Panorama de Sentimentos das Lideranças vem acompanhando como se dá a tomada de decisão nas empresas. E a falta de clareza estratégica foi, pelo segundo ano, a maior dor reportada pelos líderes (48,1%).

 

Outra questão apontada foi a coleta ou análise de dados precária, o que indica que as empresas ainda não estão usando a máxima capacidade em tecnologia de dados para tomar decisões. Além disso, mais de 60% dos gestores relataram que, antes de tomar uma decisão, recorrem às suas lideranças, seus pares (56,7%) e network pessoal (53,8%). No entanto, apenas 11,9% consultam o board.

 

Na outra ponta, 36,2% sinalizaram que não têm como canal prioritário as trocas com seus líderes, assim como 43,3% não se conectam com seus pares em momentos decisivos.

 

"Esse é um dado alarmante e que precisa ser olhado com atenção, pois nos mostra que as empresas precisam desenvolver uma cultura de colaboração entre suas lideranças, dar mais segurança psicológica e criar um fluxo para alinhamento estratégico na tomada de decisão", comenta Mari.

 

Outro ponto que chama atenção é o sentimento de desamparo. Grande parte das lideranças relata falta de apoio, e liderança pouco humanizada. Os entrevistados destacam, ainda, que estão precisando de acolhimento e cultura colaborativa para a tomada de decisão.

 

"Eu sempre gosto de trazer aquela máxima 'quem cuida de quem cuida?', inclusive, faz anos que trago essa provocação nas minhas aulas e palestras. As lideranças têm sido cobradas para que acolham seus times, trabalhem segurança psicológica e saúde mental cotidianamente. Mas quem está cuidando das lideranças? Fica claro que precisamos avançar nesse cuidado mútuo e criar práticas para que esses gestores também se sintam abraçados e estejam mais preparados para orientar o time e colaborar para um ambiente mais seguro também", analisa Mariana.

 

SAÚDE MENTAL

Apesar desses desafios e da ansiedade ainda ser muito presente no dia a dia da gestão, o levantamento apontou que cerca de 60% das lideranças fazem terapia, evidenciando a crescente importância de cuidar da saúde mental de líderes em um ambiente cada vez mais competitivo e desafiador. Cerca de 30% das respostas citam que esse recurso ajuda nas tomadas de decisão, através de "autoconhecimento, controle das emoções, clareza e equilíbrio".

 

"É notório que a troca de experiências e a interseção de perfis trazem riqueza para o dia a dia nas empresas, mas isso não quer dizer que seja fácil de operar. Essa segunda edição do Panorama de Sentimentos das Lideranças nos faz refletir sobre vários pontos e deixa claro que ainda é preciso desenvolver uma cultura mais próxima e de desenvolvimento junto às lideranças", conclui Mari.

 

 

Foto: Shutterstock

Últimas notícias

Imagem da matéria Mulheres sofrem cobrança pelo tom de voz e emoções no ambiente de trabalho
Mulheres sofrem cobrança pelo tom de voz e emoções no ambiente de trabalho
Diversidade & Inclusão - 03/03/2026 - 16h32
Profissionais seguem sendo julgadas por causa de vieses que podem afetar o desenvolvimento da carreira
Ver MAIS
Imagem da matéria Uma década de mudanças: o que o Brasil revela sobre liderança, cultura e poder
Uma década de mudanças: o que o Brasil revela sobre liderança, cultura e poder
Publieditorial - 03/03/2026 - 14h22
Para Jorge Kraljevic, sócio-fundador da Signium, o país é um verdadeiro laboratório de liderança
Ver MAIS
Imagem da matéria Quando liderar custa demais – A dor invisível da mulher nas organizações
Quando liderar custa demais – A dor invisível da mulher nas organizações
Artigos - 02/03/2026 - 09h55
O avanço é lento, mas o desgaste é rápido, lembra Clarissa Medeiros em sua coluna
Ver MAIS
Imagem da matéria Pacto Global da ONU lança guia para fortalecer estratégias de Direitos Humanos e DEI nas empresas brasileiras
Pacto Global da ONU lança guia para fortalecer estratégias de Direitos Humanos e DEI nas empresas brasileiras
Governança - 27/02/2026 - 16h39
Publicação reúne contribuições das cinco regiões do país e traduz a realidade nacional em orientações práticas
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Tendências - 28/08/2025 - 17h46
Iniciativa está relacionada ao novo ciclo da companhia, focado na consolidação do IA Commerce
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Publieditorial - 17/03/2025 - 13h10
São mais de 23 mil academias e estúdios parceiros, como Smart Fit e Bio Ritmo
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias