No modelo de escala 6x1, excesso de horas atinge até 15% dos trabalhadores, aponta estudo
Jornadas chegam a até 64 horas semanais. Executivo da VR sugere ajustes em função da NR-1
Um levantamento da VR, empresa de soluções para RH, avaliou que entre os profissionais que atuam na escala 6x1, 15% acumularam jornadas entre 44 e 54 horas semanais, caracterizadas como excesso moderado, e 3% trabalham entre 54 e 64, faixa considerada de excesso mais significativo. Na comparação com a escala 5x2, há uma diminuição expressiva do número de horas acumuladas, sendo 6,7% de excesso moderado e 0,4% de excesso significativo.
Os dados não indicam irregularidade por si só, mas sinalizam padrões que merecem acompanhamento mais próximo pelas empresas, sobretudo com a entrada da NR-1. Segundo a base de dados dos clientes que utilizam os serviços de escala e acompanhamento de jornada da VR, os setores que mais utilizam a escala 6x1 são: comércio (49%), seguido por bares e restaurantes (16%), saúde (8%), teleatendimento (5%), serviços administrativos (5%), administração imobiliária e predial (5%), reparação de veículos (4%), transporte (3%) e indústria (3%).
Segundo Cássio Carvalho, diretor-executivo de negócios da VR, quanto menor o nível de controle e acompanhamento das escalas, mais complexo se torna administrar a carga horária, o que acaba resultando no acúmulo de horas-extras e os negócios que operam com escalas intensivas, alta rotatividade e pouco uso de dados para gestão tendem a enfrentar mais desafios para se adequar às exigências da NR-1, especialmente no que diz respeito à identificação e prevenção de riscos psicossociais.
"O cuidado com as pessoas precisa ser prioridade estratégica dos negócios. Iniciativas que promovem equilíbrio entre vida pessoal e profissional, descanso adequado e acompanhamento de jornada deixam de ser ações pontuais e passam a integrar a cultura organizacional, protegendo os trabalhadores e fortalecendo a sustentabilidade das empresas no longo prazo", avalia o executivo.
A empresa sugere ajustes na gestão de pessoas da sua empresa para colocar em prática nos próximos dias:
1. Mapear onde há acúmulo recorrente de horas-extras: Analisar registros de ponto ajuda a identificar padrões que se repetem ao longo do tempo
2. Comparar escalas diferentes dentro da mesma operação: Dados permitem avaliar como modelos como 5x2 e 6x1 se comportam na prática, além do previsto em contrato
3. Revisar pausas e períodos de descanso: A NR-1 reforça a importância de rotinas claras e acompanhadas, evitando informalidade na gestão do tempo
4. Gerenciar jornada e escalas: Indicadores de horas trabalhadas e extras devem fazer parte do gerenciamento de riscos ocupacionais
5. Usar tecnologia para acompanhamento contínuo: Ferramentas digitais facilitam o monitoramento, a rastreabilidade e a tomada de decisão preventiva
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