Uso de GenIA por candidatos prolonga processos seletivos em 74% das empresas brasileiras
Adoção crescente da tecnologia tem aumentado a carga de trabalho na fase de triagem, segundo a Robert Half
O uso crescente de inteligência artificial generativa (GenIA) para criar currículos e materiais de candidatura tem gerado desafios para mais da metade dos tomadores de decisão de contratação no Brasil – 53% –, de acordo com uma pesquisa encomendada, em junho, pela Robert Half, empresa global de recrutamento e consultoria de negócios.
No Brasil, onde foram entrevistados 500 empregadores, o estudo aponta que, para 74% desses profissionais, a proliferação da prática aumentou o tempo médio necessário para preencher uma vaga, atrasando os processos seletivos em mais de duas semanas.
Em muitos casos, o aumento do uso de ferramentas de IA generativa tem resultado em um grande volume de currículos e cartas de apresentação genéricos, além de experiências profissionais fabricadas ou exageradas, dificultando a análise das candidaturas e a avaliação de se a experiência declarada pelos candidatos reflete efetivamente suas competências e capacidades. Entre os principais desafios, 21% citam a dificuldade de distinguir documentos elaborados de forma autêntica daqueles produzidos com auxílio de ferramentas de IA.
Para verificar as habilidades e experiências descritas pelos candidatos, 33% das empresas afirmam ter incorporado entrevistas adicionais e etapas complementares de triagem.
Caio Arnaes, diretor de mercado da Robert Half, salienta que os currículos sempre foram uma ferramenta importante para apresentar experiências e qualificações, mas não podem ser o único critério utilizado para avaliar um candidato. E quando muitos profissionais recorrem à IA para produzir materiais de candidatura que seguem padrões muito semelhantes, entrevistas e outras etapas de avaliação se tornam ainda mais necessárias.
A atenção dedicada à validação dos candidatos ganha mais relevância em um mercado de trabalho que continua altamente competitivo para profissionais qualificados. Segundo a mesma pesquisa, 42% das empresas pretendem ampliar suas equipes permanentes no segundo semestre de 2026. Nesse contexto, processos seletivos excessivamente longos podem dificultar a contratação de talentos altamente disputados.
“A validação das competências se tornou ainda mais relevante em um cenário em que muitos profissionais utilizam ferramentas semelhantes para construir suas candidaturas. Ao mesmo tempo, a disputa por talentos qualificados exige processos seletivos capazes de equilibrar profundidade na avaliação e agilidade na tomada de decisão”, comenta o executivo.
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