Sua empresa está mais rápida ou apenas mais ocupada?
Nosso colunista Pedro Signorelli alerta: é preciso saber diferenciar movimento de progresso
Por Pedro Signorelli*
Já é sabido que o planejamento tradicional, com metas anuais e ciclos longos, funcionava em mercados previsíveis. Hoje, o avanço tecnológico, a inteligência artificial e a dinâmica do consumidor reduziram os ciclos de decisão. O dilema atual é que muitas empresas adotam novas tecnologias para acelerar a execução, mas mantêm modelos operacionais arcaicos, ganhando velocidade sem aprimorar a capacidade de decidir o que priorizar.
Surge aí o paradoxo da produtividade: nunca tivemos tantas ferramentas automatizadas, mas seguimos com dificuldade para traduzir velocidade em resultados concretos. Não se trata apenas de fazer mais rápido, mas de fazer as coisas certas. Uma pesquisa global da McKinsey, de agosto de 2026, mostra que 80% dos profissionais veem a IA melhorar a produtividade individual, mas apenas 37% relatam impacto positivo no resultado operacional. A diferença está na gestão e na capacidade de transformar excesso de possibilidades em prioridades claras.
Sem direcionamento, o excesso de tecnologia gera apenas mais tarefas paralelas. Interrupções constantes por e-mails e reuniões, ocorrendo a cada dois minutos, segundo a Microsoft, fazem quase metade dos profissionais e líderes perceberem o trabalho como caótico. A cultura da urgência faz com que organizações confundam movimento com progresso, priorizando demandas imediatas em detrimento do valor de longo prazo.
Diante disso, o maior desafio da gestão contemporânea é separar o importante do urgente. A gestão por objetivos e resultados cumpre esse papel ao conectar metas estratégicas a indicadores de desempenho. Essa abordagem exige responder perguntas essenciais: qual resultado queremos? Como medir o avanço? Quais iniciativas contribuem? E o que devemos deixar de fazer? Dizer "não" virou competência fundamental em meio à abundância de oportunidades trazida pela IA.
A pesquisa da McKinsey confirma que as empresas que capturam valor real com IA não são as que usam mais ferramentas, mas as que redesenham fluxos e medem o impacto. Apenas 6% das organizações foram classificadas como de alta performance em IA, destacando-se pela disciplina em converter tecnologia em resultado. Levantamento da Gartner reforça que o alinhamento e a priorização têm impacto muito maior na produtividade estratégica do que a simples aceleração via IA.
Isso transforma o papel da liderança. O gestor deixa de ser um mero controlador de cronogramas para se tornar o definidor de foco. Os modelos rígidos do passado perderam eficácia; a gestão atual exige capacidade de adaptação sem perda de rumo, unindo objetivos claros, revisão periódica e conexão direta entre estratégia e execução.
A IA explicita uma habilidade crítica: saber escolher. As empresas mais produtivas não serão as que realizarem mais tarefas, mas as que souberem identificar os resultados relevantes, concentrar recursos neles e eliminar a dispersão. Em um mercado acelerado, ter clareza sobre prioridades é mais valioso do que apenas correr mais rápido. A vantagem não está em correr sem parar, mas em saber exatamente para onde ir.
*Pedro Signorelli é especialista em gestão, com ênfase em OKRs
Foto: Divulgação








