Imagem da matéria GERAÇÃO Z: ENTRE TABUS E REALIDADES NA LIDERANÇA DE UMA GERAÇÃO DIVERSA
27/03/2026 - 12h00 Artigos

GERAÇÃO Z: ENTRE TABUS E REALIDADES NA LIDERANÇA DE UMA GERAÇÃO DIVERSA


Por Letícia Pavim e Igor Schoff

Muito se fala sobre a geração Z no mercado de trabalho. Para alguns, trata-se de uma geração “difícil”, sensível demais ou pouco comprometida. Para outros, é a geração que vai transformar profundamente a forma como trabalhamos. Entre estigmas e expectativas, a pergunta central permanece: o que é mito e o que é realidade quando falamos sobre liderar jovens da geração Z?

 

Para responder a essa questão, é essencial compreender a evolução geracional no mercado de trabalho. Cada geração foi moldada por contextos históricos, econômicos e tecnológicos específicos, que influenciaram diretamente seus comportamentos e valores profissionais.

 

Os baby boomers ingressaram no mercado em um cenário de reconstrução econômica e maior previsibilidade. A comunicação era lenta, muitas vezes feita por cartas, e o trabalho representava estabilidade, identidade e status social. Permanecer longos anos na mesma empresa era sinônimo de sucesso.

 

Já a geração X viveu a transição tecnológica, com o telefone celular e os primeiros computadores ganhando espaço. Enfrentou crises econômicas e desenvolveu um perfil mais pragmático e autônomo, valorizando estabilidade, mas já questionando hierarquias rígidas.

 

Quanto aos millennials (geração Y), eles já cresceram com a expansão da internet e do e-mail como principal meio de comunicação. Foram incentivados a buscar propósito no trabalho, ao mesmo tempo em que enfrentaram frustrações econômicas que dificultaram a concretização desse ideal.

 

E a geração Z, por sua vez, nasceu em um mundo hiperconectado, de comunicação instantânea, múltiplos estímulos e fronteiras cada vez mais tênues entre o online e o offline. Redes sociais, mensagens em tempo real e acesso contínuo à informação moldaram jovens mais ágeis, visuais e questionadores. Para eles, trabalho, vida pessoal e identidade coexistem simultaneamente.

 

Nesse contexto, surge um conflito de expectativas. Diferente de gerações anteriores, a geração Z não coloca o trabalho como o único pilar da vida. Ele é relevante, mas divide espaço com saúde mental, relações pessoais, lazer e qualidade de vida. Esse comportamento não nasce da falta de ambição, mas do cenário econômico atual, em que salários iniciais muitas vezes não garantem autonomia financeira.

 

Além disso, é preciso reconhecer que muitos dos comportamentos atribuídos à geração Z não são necessariamente características exclusivas dessa faixa etária, mas respostas coerentes ao contexto contemporâneo. A velocidade das mudanças, a exposição constante a crises globais, a instabilidade econômica e o acesso irrestrito à informação tornam esses jovens mais conscientes, críticos e seletivos em relação às escolhas profissionais. Se questionam mais, não é por desrespeito, mas por terem aprendido desde cedo a navegar em ambientes fluidos e incertos.

 

Liderar essa geração, portanto, exige menos controle e mais capacidade de construção conjunta, um movimento que, no fundo, também beneficia as demais gerações dentro das organizações.

 

Movimentos como o Quiet Ambition refletem essa mudança: o crescimento acelerado deixa de ser o único objetivo. Ainda assim, muitos jovens desejam se desenvolver, assumir responsabilidades e crescer profissionalmente, desde que haja clareza, equilíbrio e sentido.

 

A geração Z valoriza ambientes flexíveis, proximidade com a liderança, feedbacks frequentes e oportunidades reais de aprendizado. O que rejeita são estruturas excessivamente rígidas, lideranças distantes e a lógica de “viver para o trabalho”. Quando encontra espaço para diálogo e pertencimento, entrega inovação, engajamento e resultados.

 

Diante disso, surge um ponto-chave: é possível equilibrar o que os jovens buscam com o que a empresa pratica?

 

Esse equilíbrio depende de três fatores: cultura organizacional, preparo das lideranças e abertura para o diálogo. Não se trata de flexibilizar tudo, mas de construir acordos claros e relações mais transparentes.

 

Na prática, a Rede Pavim, pioneira no desenvolvimento de líderes para gerir essa geração impactando empresas como Ford, Coca-Cola, Bayer, Hershey’s, Deloitte e L’Oréal, relata experiências de desenvolvimento da liderança mostrando que avanços consistentes acontecem quando líderes investem em conversas individuais, alinham expectativas com clareza, explicam seus critérios e se colocam disponíveis para orientar. A criação de projetos com iniciativas de inovação também tem se mostrado eficaz ao estimular protagonismo, criatividade e senso de impacto real.

 

Ao olhar para o futuro, é importante reconhecer que a evolução geracional não tem limite definido. A geração Alpha, que em breve ingressará no mercado, já cresce ainda mais imersa em tecnologia e inteligência artificial. Isso indica que modelos de trabalho e liderança continuarão em transformação.

 

Mais do que tentar se adaptar a uma geração específica, o grande desafio das lideranças será desenvolver escuta ativa, flexibilidade e disposição para rediscutir continuamente como trabalhamos. Entender a geração Z não é uma concessão, mas uma estratégia essencial para a sustentabilidade das organizações.

Letícia Pavim e Igor Schoff são sócios da Rede Pavim

Últimas notícias

Imagem da matéria Cássia Soumaili é a nova líder de RH e Cultura da Biosphera.ntwk
Cássia Soumaili é a nova líder de RH e Cultura da Biosphera.ntwk
Gente - 30/03/2026 - 15h53
Ela tem a missão de conectar a agenda de pessoas aos desafios de crescimento da empresa de Bazinho Ferraz
Ver MAIS
Imagem da matéria Na era da IA, é preciso letramento digital e cautela para uma adaptação responsável
Na era da IA, é preciso letramento digital e cautela para uma adaptação responsável
Dicas dos Especialistas - 30/03/2026 - 12h38
Rodrigo Krüger, da NTT Data reforça que confiança cega pode comprometer decisões e projetos
Ver MAIS
Imagem da matéria Modelo de Gestão Accesstage: a resposta para garantir o crescimento de dois dígitos para o negócio
Modelo de Gestão Accesstage: a resposta para garantir o crescimento de dois dígitos para o negócio
Publieditorial - 30/03/2026 - 11h35
Modelo integra cultura, liderança e execução para impulsionar resultados sustentáveis
Ver MAIS
Imagem da matéria O futuro do RH pertence às empresas que tratam pessoas como estratégia, não como discurso
O futuro do RH pertence às empresas que tratam pessoas como estratégia, não como discurso
Artigos - 27/03/2026 - 12h57
Retenção de talentos exige personalização, maturidade emocional e visão sistêmica do papel do RH
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Tendências - 28/08/2025 - 17h46
Iniciativa está relacionada ao novo ciclo da companhia, focado na consolidação do IA Commerce
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Radar - 12/12/2025 - 15h50
A volta da busca por estabilidade no emprego é uma delas, de acordo com dados da companhia
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias