Imagem da matéria A era da IA expôs um problema – o desafio do aprendizado contínuo nas empresas
12/03/2026 - 09h31 Artigos

A era da IA expôs um problema – o desafio do aprendizado contínuo nas empresas

Para sócio da NextGen Learning, apesar das mudanças constantes, muitas organizações tratam a educação como custo


Por Sergio Krivtzoff*

 

 

A inteligência artificial escancarou uma verdade que muitas empresas preferiam adiar: o problema não é a falta de tecnologia, é a dificuldade de aprender continuamente. Nunca houve tantas ferramentas disponíveis, tantos dados acessíveis e tantas promessas de eficiência. Ainda assim, boa parte das organizações segue tentando responder a um mundo em transformação com modelos de aprendizado pensados para outra era.

 

Durante anos, aprender dentro das empresas foi tratado como algo episódico. Um curso aqui, um treinamento ali, uma reciclagem anual para “cumprir tabela”. Esse modelo até funcionou quando as mudanças eram previsíveis e graduais. Na era da IA, ele simplesmente não acompanha o ritmo do negócio.

 

Dados recentes do Fórum Econômico Mundial indicam que cerca de 44% das habilidades profissionais devem mudar nos próximos cinco anos. Isso significa que cargos, funções e competências estão se transformando mais rápido do que as estruturas tradicionais de capacitação conseguem absorver. O desafio, portanto, não é apenas atualizar conteúdos, mas repensar a própria lógica do aprendizado corporativo.

 

Learning in the flow of work

Empresas globais já perceberam isso. Organizações como IBM, Amazon e Siemens vêm investindo em modelos de desenvolvimento baseados em habilidades, aprendizado contínuo e uso estratégico de tecnologia. Nessas empresas, aprender não acontece fora do trabalho, mas dentro dele. A inteligência artificial é usada para personalizar trilhas, recomendar conteúdos relevantes no momento certo e apoiar decisões de desenvolvimento com base em dados reais — não em suposições.

 

Esse movimento revela uma mudança importante de mentalidade. Aprender deixou de ser responsabilidade exclusiva do RH e passou a ser uma questão estratégica, diretamente ligada à performance, à inovação e à sustentabilidade do negócio. Quando o aprendizado é contínuo, as empresas ganham agilidade para se adaptar, reduzem a dependência de contratações externas e fortalecem seus próprios talentos.

 

O paradoxo é que, mesmo diante desse cenário, muitas organizações ainda tratam a educação corporativa como custo, e não como investimento. Adotam tecnologias sem revisar processos, contratam plataformas sem alinhar cultura e esperam que a IA, sozinha, resolva um problema que é essencialmente humano. A tecnologia potencializa, mas não substitui a capacidade de aprender, refletir e aplicar conhecimento de forma crítica.

 

Na prática, aprender na era da IA exige liderança. Exige que executivos assumam que também precisam aprender, desaprender e reaprender. Exige coragem para abandonar modelos engessados e investir em experiências de aprendizagem mais conectadas à realidade do trabalho. E exige clareza de que desenvolvimento de pessoas não é um projeto paralelo, mas parte central da estratégia de crescimento.

 

A inteligência artificial não está tornando o aprendizado opcional, ela está tornando a incapacidade de aprender um risco real. Empresas que insistirem em modelos ultrapassados sentirão esse impacto na competitividade, na retenção de talentos e na capacidade de inovar.

 

A era da IA não expôs apenas um avanço tecnológico. Ela expôs uma pergunta incômoda, mas inevitável: a sua empresa sabe, de fato, aprender?

 

 

*Sergio Krivtzoff é cofundador e diretor de Operações da NextGen Learning

 

 

Foto: Divulgação/NextGen

 

Últimas notícias

Imagem da matéria Colgate-Palmolive anuncia Mariana Lamego como líder de RH no Brasil
Colgate-Palmolive anuncia Mariana Lamego como líder de RH no Brasil
Gente - 08/09/2026 - 10h51
Com experiência em funções globais e regionais do grupo, a executiva atua na companhia desde 2019
Ver MAIS
Imagem da matéria Tratamento inadequado de gestores é o principal motivo para jovens deixarem o emprego
Tratamento inadequado de gestores é o principal motivo para jovens deixarem o emprego
Jovens Profissionais - 08/09/2026 - 10h45
Pesquisa da Fundação Itaú mostra os fatores que influenciam a relação da juventude brasileira com o trabalho
Ver MAIS
Imagem da matéria O sistema sempre vence – O que isso tem a ver com RH?
O sistema sempre vence – O que isso tem a ver com RH?
Artigos - 08/09/2026 - 09h46
Carol Manciola: Quando o resultado não vem, a pergunta não deve ser sobre o que ensinar, mas o que precisa mudar
Ver MAIS
Imagem da matéria Saber desistir também é estratégia corporativa
Saber desistir também é estratégia corporativa
Gestão - 04/09/2026 - 15h22
Insistir em iniciativas que já perderam sentido pode custar mais do que admitir a hora de parar
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
Artigos - 27/04/2026 - 12h27
CEO do Andbank conta como a rotina de ciclismo, triathlons e maratonas contribui no seu desempenho como líder
Ver MAIS
Imagem da matéria Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Diversidade & Inclusão - 07/05/2026 - 10h43
Mas, ao se tornarem mães, mulheres ainda enfrentam dificuldades para manter o emprego, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Radar - 12/12/2025 - 15h50
A volta da busca por estabilidade no emprego é uma delas, de acordo com dados da companhia
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias