Como liderar com foco e equilíbrio emocional em anos de grandes agendas
Neste ano, as eleições e a Copa do Mundo trazem como desafio extra para os líderes evitar dispersões
Por Valéria Oliveira*
Anos em que convivem eventos de grande impacto coletivo, como Copa do Mundo e eleições costumam trazer um nível elevado de estímulos, emoções intensas e polarizações. Para líderes, esse cenário representa um desafio adicional: como manter o foco estratégico, o equilíbrio emocional e a qualidade das decisões em meio a tanta distração e pressão externa?
Compreender o impacto do contexto no comportamento das pessoas
Grandes eventos mexem com emoções, expectativas e até com a identidade das pessoas. A Copa desperta euforia, senso de pertencimento e celebração; as eleições, por sua vez, costumam intensificar tensões, debates e divisões. Ignorar esse contexto é um erro. O líder atento reconhece que o clima emocional coletivo influencia diretamente a produtividade, os relacionamentos e a tomada de decisão.
Liderar bem começa por aceitar que o ambiente mudou e adaptar a condução das equipes a essa realidade.
Clareza de prioridades como antídoto para a dispersão
Em períodos de agendas intensas, a atenção se torna um recurso escasso. Por isso, líderes eficazes reforçam constantemente:
• Objetivos principais do período
• Prazos críticos
• Critérios claros de decisão
A pergunta-chave passa a ser: “Isso contribui diretamente para nossas prioridades?”
Tudo o que não contribui deve ser reavaliado, adiado ou descartado. Foco não é fazer mais, é fazer o que realmente importa.
Autogestão emocional: liderar a si mesmo antes dos outros
Equilíbrio emocional não significa ausência de emoção, mas capacidade de reconhecê-la e não ser dominado por ela. Em anos de Copa e eleições, o líder é constantemente exposto a opiniões fortes, notícias polarizadas e pressões externas.
Algumas práticas fundamentais:
• Pausas conscientes ao longo do dia
• Limitação do consumo excessivo de notícias
• Momentos de reflexão antes de decisões importantes
O comportamento do líder serve como referência. Quando ele reage com calma, transmite segurança; quando reage impulsivamente, amplifica o caos.
Comunicação responsável e ambiente seguro
Em contextos eleitorais, divergências são inevitáveis. Cabe ao líder estabelecer limites claros para o convívio profissional: O respeito é inegociável; O ambiente de trabalho não é espaço para confrontos ideológicos e o diálogo deve ser construtivo e orientado a soluções.
Criar um ambiente seguro emocionalmente não significa evitar temas sensíveis, mas garantir que eles não comprometam a colaboração e o respeito mútuo.
Flexibilidade e empatia como competências-chave
Dias de jogos importantes, debates decisivos ou acontecimentos inesperados podem afetar o ritmo das equipes. Liderar com maturidade envolve:
• Flexibilidade pontual quando possível
• Empatia com o estado emocional das pessoas
• Confiança baseada em resultados, não em controle excessivo
Líderes que demonstram compreensão tendem a receber mais comprometimento em troca.
Manter a visão de longo prazo
Eventos passam. Mandatos terminam. Campeonatos acabam. O que permanece é a reputação da liderança, a cultura construída e a consistência das decisões. Manter a visão de longo prazo ajuda o líder a não reagir de forma exagerada a ruídos momentâneos.
A pergunta final que orienta boas escolhas é: “Como essa decisão será vista quando esse período turbulento tiver passado?”
Liderar em anos de grandes agendas exige mais do que competência técnica. Exige consciência emocional, clareza estratégica e maturidade relacional. Ao manter o foco no essencial, cuidar do próprio equilíbrio emocional e conduzir pessoas com empatia e firmeza, o líder transforma um cenário potencialmente caótico em uma oportunidade de fortalecer a equipe e a própria liderança.
Em tempos de barulho externo, liderar bem é ser um ponto de estabilidade.
*Valéria Oliveira é especialista em desenvolvimento de líderes e gestão da cultura e fundadora da consultoria Let’ Level
Foto: Divulgação








