Caso Filipe Luís reacende debate sobre cultura de demissão de talentos no Brasil
Mais do que nomenclaturas, como offboarding e desembarque, o foco está em cuidar melhor do processo, diz consultora
A demissão do técnico Filipe Luís do Clube de Regatas do Flamengo, anunciada de forma inesperada na madrugada da última terça-feira, reacendeu discussões sobre cultura organizacional, gestão de talentos e a forma como líderes são desligados no Brasil. Mais do que isso, para muitos, a saída comunicada após coletiva de imprensa no Maracanã, mesmo depois da goleada por 8 a 0 sobre o adversário, gerou críticas quanto à condução do processo e o desrespeito ao profissional, especialmente, por se tratar de um líder e ídolo do clube.
Para Cristina Fortes, diretora da LHH Regional Sudeste, episódios como esse evidenciam um tema cada vez mais sensível no mercado: a forma como organizações atraem, desenvolvem e, principalmente, desligam seus profissionais. "No geral, está faltando um olhar mais humanizado por parte das organizações na hora do desligamento", alerta.
Segundo ela, esse caso do técnico simboliza um desafio que vai muito além do futebol, é inerente ao mundo corporativo. "Transparência, respeito e coerência com a cultura organizacional são fundamentais, especialmente quando se trata de lideranças ou profissionais com forte vínculo emocional com a instituição", afirma, salientando que, em um cenário de alta competitividade por talentos e maior conscientização sobre propósito e qualidade de vida, empresas que não alinham discurso e prática tendem a enfrentar dificuldades crescentes na atração e retenção de profissionais.
Todo desligamento deve ser, sobretudo, respeitoso. "Planejar esse momento é fundamental, pois o cuidado com o outro mora nos detalhes", sinaliza a diretora, complementando que o profissional desligado tem o direito de conhecer o motivo de seu encerramento de ciclo de forma clara e, para isso, um discurso coerente é essencial, além de ter a sua exposição preservada.
Vale lembrar que a pesquisa Força de Trabalho Global, realizada pelo grupo Adecco Group no fim de 2023, mostrou que melhores salários continuam sendo a principal razão para os profissionais escolherem a vaga e pedirem demissão. No entanto, salários aparecem apenas na nona posição entre os fatores que fazem alguém permanecer em uma empresa quando o colaborador está satisfeito. Cristina frisa que é de suma importância levar essa informação em conta pois os principais motivos para sair e para ficar são praticamente os mesmos, ano após ano, que é o desenvolvimento, propósito, bem-estar e até prevenção do burnout.
“O salário atrai, mas não sustenta a permanência”, diz ela, reforçando que proteção ao bem-estar nas empresas tem demandado mais atenção do que nunca.
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