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09/03/2023 - 11h32 Artigos

O mercado de trabalho para mulheres 50+

Comprometimento, inteligência emocional e experiência são diferenciais, diz a consultora Rosa Bernhoeft


 

 

 

Por Rosa Bernhoeft*

 

 

Em um país em que 26% da população tem acima de 50 anos, as oportunidades de emprego para essa faixa etária ainda são restritas. Incentivados pelo pressuposto de melhor formados, atualizados, ágeis, energizados e criativos, os jovens têm predominado o mercado de trabalho há, pelo menos, dez anos, ocupando posições, se mostrando ávidos de crescimento rápido e resultados, formando hoje um contingente inquieto, demandante e pouco dispostos a investir no longo prazo. Há uma dificuldade crescente para a geração madura se inserir no mercado de trabalho exatamente por causa do etarismo e dos avanços tecnológicos.

 

De olho nesse descompasso e na escassez de mão de obra especializada, companhias como PepsiCo, Deloitte, Credicard, Banco Neon e Kimberly-Clark estão desenvolvendo programas para aumentar a diversidade etária de suas equipes. Para essas empresas, ter um time diverso, que consegue pensar em várias possibilidades e mercados, virou um grande trunfo para alcançar um público cada vez maior.

 

Nesse cenário, algumas habilidades das profissionais acima de 50 anos passaram a ser vistas como estratégicas para os negócios. Na lista de competências estão comprometimento, inteligência emocional e experiência. As organizações estão se dando conta de que a mistura desses atributos será benéfica para os negócios, tanto para inovação quanto para a conservação do conhecimento existente e para soluções inovadoras consistentes.

 

Uma pesquisa realizada pela Maturi, empresa especializada no segmento 50+, mostra que o mercado de trabalho ainda tem preconceitos em relação aos trabalhadores com mais de 50 anos, porém a idade não determina em momento algum como é a performance desse profissional no ambiente de trabalho.

 

Há também que reconhecer que as próprias profissionais 50+ se desanimam ou se autolimitam ao se compararem com os jovens, num erro terrível para a integração. O grande benefício é o reconhecimento nos diferentes níveis de prontidão e conhecimento, que, somadas as forças, fazem a diferença.

 

Hoje, essa geração está saudável, com energia e disposição de se atualizar. Os contextos, as famílias, as relações sociais, culturais e de trabalho mantêm um convite permanente para desafiá-las e atualizar essas jovens cinquentonas, com trajetórias de duas a três décadas de trabalho consistentes, construídas pela experiência e pelo conhecimento, forte aderência a organização, a disciplina do trabalho e com grandes expectativas de ter um segundo ciclo de carreira produtiva.

 

Há uma necessidade urgente de repactuar as relações entre as gerações, admitindo que tanto jovens e sêniores irão trocar e se integrar no ambiente de trabalho. Mas como é possível viabilizar essa troca? A partir do reconhecimento mútuo, convite a aprender juntos, processos de comunicação para encontrar o que “nos une” dentro do ambiente de trabalho que podem ser ativados através de mentorias ou processos multidisciplinares.

 

As empresas retêm dirigentes jovens ou com 50+ independentemente de idade, por serem capazes de atender às expectativas presentes e futuras do negócio e, principalmente, por estarem dispostos a manter um cérebro jovial apoiados no aprendizado e renovação contínua.

 

Com certeza existe mercado para uma geração que carrega experiência, conhecimento, que sabe fazer, o que essas mulheres 50+ precisam levar em consideração é que o trabalho demanda energia, tempo, compromisso e experiência, e antes de qualquer coisa é necessário lutar contra os preconceitos em relação a própria idade, mantendo uma condição de fala e de escuta que integre as gerações, se mostrando disponível com o cuidado de não tentar apenas repetir o padrão de comportamento dos jovens e sem fomentar competição, evitando saudosismos e comparações.

 

A eficiência, eficácia e performance não dependem da idade e sim do grau de compromisso com o resultado, desafio e a responsabilidade do papel.

 

*Rosa Bernhoeft é CEO da Alba Consultoria

 

Foto: Divulgação

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