Apenas 15% dos profissionais recebem treinamento das empresas para utilizar inteligência artificial
Apesar de ser um dos mercados mais receptivos à IA, Brasil encontra na capacitação o seu principal desafio
A inteligência artificial já faz parte da rotina dos profissionais e, de acordo com o estudo sobre o futuro das profissões do Fórum Econômico Mundial, já está entre os principais fatores de transformação do mercado de trabalho nos próximos anos. E essa mudança já acontece por aqui, de acordo com a nova edição da pesquisa Engajamento na era da IA: o trabalho em transformação, da empresa de benefícios Pluxee. O estudo mostra que 81% dos profissionais brasileiros já utilizam ou demonstram interesse em usar soluções de IA no trabalho.
Realizado com 9.600 trabalhadores em 14 países – 1.000 deles brasileiros –, o levantamento mostra que o debate sobre inteligência artificial nas empresas entrou em uma nova fase. Se até pouco tempo o principal desafio era incentivar o uso da tecnologia, hoje a prioridade é garantir que as pessoas saibam utilizá-la de forma estratégica, ética e crítica. Mas apenas 15% dos profissionais afirmam ter recebido treinamento formal das organizações para utilizar a ferramenta. O percentual evidencia o descompasso entre a velocidade da adoção e a preparação das empresas para esse novo cenário.
Os resultados também mostram que a IA já ocupa um papel muito mais estratégico do que operacional. Entre os brasileiros, 61% utilizam essa tecnologia para gerar ideias e estimular a criatividade; 60% para aprender coisas novas e desenvolver habilidades; 58% para executar tarefas complexas; e 54% para aumentar a produtividade. Mais do que automatizar tarefas, a IA hoje é uma aliada na construção de conhecimento, na resolução de problemas e na tomada de decisões.
Essa percepção também aparece na forma como os trabalhadores enxergam os impactos da tecnologia. Para 88% dos brasileiros, a inteligência artificial está promovendo mudanças positivas no ambiente de trabalho; apenas 1% afirma ter perdido o emprego em decorrência dela. O dado reforça que, no Brasil, a IA é percebida muito mais como um recurso capaz de ampliar o potencial humano do que como uma ameaça à empregabilidade.
HORA DE INVESTIR NO CAPITAL HUMANO
A rápida incorporação da inteligência artificial ao cotidiano profissional contrasta com o ritmo de preparação das empresas. Apenas 18% dos trabalhadores percebem suas organizações acelerando a transformação digital por meio da IA e 27% acreditam que a adoção da tecnologia será um dos principais desafios das empresas no próximo ano.
Além disso, 41% afirmam haver a necessidade de ampliar a oferta de treinamento técnico para usar IA e 31% defendem o desenvolvimento de habilidades que permitam fazer uma avaliação crítica dos conteúdos produzidos pela tecnologia. Ou seja, o debate atual não se limita ao acesso às ferramentas, mas à capacidade de usá-las estrategicamente.
Segundo Fabiana Galetol, diretora de RH da Pluxee no Brasil, existe uma tendência de as empresas associarem a preparação para a IA principalmente ao investimento em tecnologia, mas o caminho é outro. “O diferencial competitivo não estará nas ferramentas, elas serão cada vez mais acessíveis. Estará na capacidade dos profissionais de transformar inteligência artificial em inteligência aplicada aos negócios”, afirma a executiva.
O PAPEL DECISIVO DOS LÍDERES
A pesquisa também mostra que a consolidação da IA dependerá cada vez mais da forma como as lideranças conduzirão essa transformação dentro das organizações. Hoje, 59% dos gestores incentivam o uso da ferramenta, ainda que acompanhado de recomendações de cautela. Ao mesmo tempo, 30% dos trabalhadores acreditam que a gestão se tornou mais exigente desde sua implementação e 24% sentem que seus líderes passaram a desconfiar mais da autoria ou da capacidade técnica das equipes, presumindo que parte das entregas tenha sido realizada com apoio da IA.
Para Fabiana, o cenário reforça que o papel dos gestores vai além de definir regras para o uso de IA. “As lideranças precisarão criar ambientes em que inovação, aprendizado contínuo e confiança caminhem juntos. Isso significa estimular a experimentação, orientar o uso responsável das ferramentas e investir continuamente no desenvolvimento das capacidades que a IA não é capaz de substituir, como pensamento crítico, criatividade, repertório e discernimento na hora de tomar decisões”, complementa.
Segundo ela, é isso que permitirá às organizações transformarem tecnologia em inovação, produtividade e melhores resultados.
Imagem: Shutterstock








