Imagem da matéria Cinco motivos para as empresas reverem sua cultura de aprendizagem
19/01/2026 - 12h12 T&D

Cinco motivos para as empresas reverem sua cultura de aprendizagem

Cada vez mais, o aprendizado contínuo faz parte da operação, afirma Conrado Schlochauer


 

À medida que as transformações tecnológicas e de mercado se aceleram, as empresas têm redescoberto um componente decisivo para manter competitividade: a maneira como seus times aprendem. A cultura de aprendizagem contínua, antes vista como tendência, tornou-se estratégia central de negócios ao substituir o antigo modelo de treinamentos isolados por práticas integradas ao cotidiano de trabalho.

 

Para dar uma ideia desse impacto, um estudo da WifiTalents aponta que 76% dos funcionários se sentem mais engajados quando a empresa investe em seu desenvolvimento. A pesquisa também mostra que companhias que estruturam programas consistentes de capacitação chegam a registrar margens de lucro 24% maiores, evidenciando que estimular o aprendizado, além de ser uma iniciativa do RH, é um vetor direto nos resultados.

 

Conrado Schlochauer, especialista em aprendizado organizacional, salienta que esse reposicionamento tem levado organizações de diferentes setores a reconsiderar seus modelos internos e a transformar o desenvolvimento em parte natural da operação. Em vez de treinamentos padronizados e esporádicos, está crescendo a adoção de estruturas que favorecem trocas constantes, experimentação e desenvolvimento no ritmo do trabalho real. Segundo ele, o reflexo dessa mudança aparece na inovação, na retenção de talentos e na capacidade de resposta das empresas às exigências de um mercado em constante mutação.

 

Esse movimento representa uma virada de mentalidade que reposiciona o papel das pessoas dentro das empresas. “Apoiei processos de transformação em empresas como a Natura e a Ipê e vi de perto como a aprendizagem contínua muda tudo. Quando aprender deixa de ser um evento e passa a fazer parte do cotidiano, as equipes ganham agilidade, criatividade e capacidade real de inovar”, comenta o especialista. Ele listou cinco pontos que comprovam a necessidade dessa virada de chave:

 

Líderes como facilitadores do aprendizado

Gestores deixam de ser meros transmissores de conteúdo e assumem a função de facilitadores do crescimento, estimulando conversas frequentes, experimentação e ambientes de segurança psicológica. Essa postura transforma a relação entre líderes e equipes, promovendo colaboração e autonomia, essenciais para o desenvolvimento contínuo.

 

Conrado explica: líderes que apoiam a aprendizagem diária das equipes tornam o desenvolvimento parte da operação e fortalecem a capacidade das pessoas de resolver problemas reais de forma independente, criando culturas mais colaborativas e resilientes.

 

Aprendizagem contínua como motor da inovação

Ao adotar uma visão integrada, as empresas acompanham mudanças do mundo do trabalho e constroem bases estratégicas para crescimento sustentável. A aprendizagem deixa de ser um complemento e passa a guiar processos, decisões e experimentações, criando um diferencial competitivo.

 

A verdadeira força da aprendizagem contínua, assinala Conrado, está na capacidade de transformar comportamento e ampliar repertório. Quando isso acontece, a inovação deixa de ser esporádica e passa a fazer parte da cultura, permitindo que a organização responda com mais agilidade e criatividade às mudanças do mercado.

 

Maior engajamento dos times

O engajamento cresce quando o aprendizado deixa de ser um evento isolado e se integra ao cotidiano de trabalho. Equipes que aprendem enfrentando desafios reais desenvolvem habilidades continuamente, fortalecendo o senso de pertencimento e estimulando a participação ativa.

 

“Quando o aprendizado acontece no dia a dia, ele deixa de ser obrigação e passa a ser motivação genuína. As equipes percebem seu impacto, participam de forma mais ativa e encontram sentido nas tarefas que realizam, tornando-se protagonistas do próprio desenvolvimento”, complementa o especialista.

 

Conhecimento que circula entre áreas e reduz barreiras internas

O compartilhamento contínuo de conhecimento entre diferentes áreas e funções reduz silos e amplia a compreensão coletiva dos desafios. Equipes que trocam experiências regularmente constroem soluções mais consistentes e se preparam melhor para lidar com situações complexas.

 

O conhecimento ganha força quando circula livremente entre equipes e áreas. A troca constante promove decisões mais consistentes e prepara a organização para enfrentar desafios de forma colaborativa.

 

Desenvolvimento incorporado à rotina operacional

Integrar o aprendizado ao ritmo natural da operação torna o desenvolvimento um processo contínuo e alinhado às demandas do dia a dia. Isso permite adaptação rápida, reforça a inovação e transforma a aprendizagem em parte essencial da cultura organizacional.

 

Quando o aprendizado acompanha a rotina da operação, ele deixa de ser evento e se torna prática cotidiana. Isso permite que a empresa evolua de maneira consistente, adaptando-se rapidamente às mudanças e consolidando uma cultura de melhoria contínua.

 

“Aprender todos os dias passa a ser, assim, o novo modelo de gestão, capaz de preparar equipes e organizações para os desafios de um mercado cada vez mais dinâmico”, conclui Conrado.

 

 

Foto: Shutterstock

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