Governança, saúde mental e conformidade fiscal ditam a nova agenda do RH
Digitalização das obrigações e foco em saúde exigem que o RH asuma a gestão estratégica de riscos
O ano de 2026 marca a consolidação de um novo momento para RH brasileiro. Com o fim do modelo tradicional de declarações anuais e o endurecimento das normas de saúde ocupacional, a conformidade deixou de ser uma tarefa de fim de ano para se tornar um processo de auditoria interna contínua. Para orientar as empresas, especialistas elencaram os cinco pontos críticos que exigem atenção imediata das lideranças de pessoas. Confira:
1. Adequação fiscal: o fim do modelo tradicional da DIRF
A substituição da DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) pelo eSocial e EFD-Reinf mudou o ritmo do RH. A atenção que antes era concentrada em fevereiro agora precisa ser diluída em todos os meses do ano para garantir a integridade dos dados.
"O ponto principal aqui é o saneamento e a higienização das rubricas e das verbas. O cadastro correto da verba, com a sua natureza apropriada, se ela é indenizatória, remuneratória ou isenta", explica Danilo Camapum, superintendente de Gente e Gestão na LG lugar de gente.
2. Reforma tributária e conformidade de dados
A nova realidade fiscal exige que as áreas de RH, Contabilidade e Fiscal trabalhem em total sincronia. Inconsistências que antes eram resolvidas em um único período agora tornam-se visíveis à fiscalização em tempo real.
"Muitas empresas ainda não têm essa governança na padronização dos seus processos. E aí mora o perigo, porque sem um processo padronizado, há o risco de gerar divergência. E agora, com a declaração mensal, essa dor fica mais latente e evidente", diz Felipe Vieira, gerente fiscal e tributário da BHub.
3. Segurança do Trabalho: PGR como mentalidade de negócio
A saúde mental saiu do campo dos benefícios corporativos para se tornar um item obrigatório de gestão de riscos ocupacionais através da nova NR-1. O impacto financeiro de ignorar esse fator é direto no caixa da empresa.
"O PGR não é um documento do SESMT, e nem um documento só de segurança do trabalho. É um documento da organização. Então, é preciso ter essa mentalidade de negócio e entender que um ambiente equilibrado e salubre faz a empresa vender mais e performar melhor", comenta Eduardo Milanelli, CEO da FAP Online, empresa LG lugar de gente.
4. Gestão de benefícios e as novas regras do PAT
As mudanças no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) e nas regras de mobilidade trouxeram liberdade para o colaborador, mas impuseram novos desafios de controle e governança para as empresas.
"O RH precisa olhar para o seu contrato atual, para as regras que estão postas hoje na legislação e garantir que ele não corra o risco de perder o benefício fiscal do PAT, afinal, ele é uma dedução importante no imposto de renda da companhia", afirma Wagner Marine, gerente nacional do Sem Parar.
5. Governança humana e o papel estratégico do RH
A integração de todas as frentes legislativas converge para a necessidade de o RH se tornar um facilitador da comunicação interna e da transparência. Em 2026, o erro na folha de pagamento gera um efeito cascata imediato em todas as outras declarações, por exemplo.
"O RH precisa estar muito próximo do negócio para entender como essas mudanças impactam a operação lá na ponta. Não é só sobre entregar o arquivo para o governo, é sobre como a gente cuida das pessoas e garante que a empresa continue sendo um lugar sustentável para se trabalhar", finaliza Danilo.
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