IA amplia pressão sobre profissionais e desafia a área de RH no campo dos riscos psicossociais
Adoção acelerada exige revisão das práticas de gestão, orienta o médico do trabalho Marco Bussacarini
As empresas aceleraram a adoção da inteligência artificial para aumentar a produtividade, automatizar processos e tornar decisões mais ágeis. Mas um efeito dessa transformação começa a chamar a atenção de especialistas em saúde ocupacional: o impacto da tecnologia sobre a organização do trabalho e os riscos psicossociais.
Embora a inteligência artificial não seja, por si só, um risco psicossocial, sua adoção sem planejamento pode potencializar condições já reconhecidas pela NR-1, como excesso de demandas, ritmo intenso de trabalho, redução da autonomia e mudanças constantes nos processos. Com isso, aumentam a pressão por resultados, a sobrecarga cognitiva, o monitoramento constante e a insegurança profissional, exigindo uma nova atuação das empresas diante das exigências da norma.
Levantamento da Data Cajuína, elaborado com base nos Dados Abertos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), identificou 105.874 afastamentos por transtornos mentais entre janeiro e março de 2026. Apesar de representar uma redução de 3% em relação ao mesmo período de 2025, os transtornos mentais ainda responderam por 12,9% de todos os auxílios-doença concedidos no trimestre, evidenciando que o adoecimento psicológico continua sendo um desafio relevante para empresas e profissionais.
Para Marco Bussacarini, médico especialista em saúde ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, o crescimento dos afastamentos reforça que a gestão da saúde mental precisa deixar de ser baseada apenas em ações pontuais de bem-estar e passar a integrar a estratégia de Saúde e Segurança do Trabalho, de forma técnica e estruturada.
No entanto, não existe uma relação automática entre implantar uma política de saúde mental e reduzir afastamentos. Para que a prevenção seja efetiva, diz Marco, é preciso identificar quais fatores de risco estão presentes em cada ambiente de trabalho, avaliar sua intensidade, definir medidas de controle e acompanhar continuamente os resultados. "Quando a prevenção é baseada em diagnóstico técnico, evidências e acompanhamento permanente, a tendência é reduzir a exposição aos fatores que favorecem o adoecimento, fortalecer a cultura de segurança e promover ambientes de trabalho mais saudáveis. Além de preservar a saúde dos trabalhadores, essa abordagem reduz os impactos operacionais e financeiros decorrentes dos afastamentos prolongados, tornando a prevenção uma estratégia mais eficiente do que atuar apenas quando o problema já está instalado", finaliza.
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