Candidatos relatam demora em processos seletivos, falhas na comunicação e falta de retorno
É nesse cenário que mais de 50% de 200 profissionais ouvidos classificam a experiência geral como negativa
É de conhecimento público que o processo para a construção de uma marca empregadora não começa apenas depois que o profissional entra na empresa. Na fase de recrutamento e seleção, a experiência de quem será ou não contratado também tem impacto considerável na imagem da organização e no seu poder de atrair talentos. Entretanto, um estudo feito pela consultoria Grupo Hub, consultoria especializada em R&S, envolvendo 200 profissionais de diferentes regiões do Brasil, mostra que, na prática, isso não é levado em consideração nos processos seletivos.
No levantamento, 52,9% dos profissionais ouvidos classificaram sua experiência geral em processos seletivos como negativa, 35,8% avaliaram como neutra e 11,3%, como positiva. E o principal fator é a comunicação. Quando perguntados sobre o tempo de resposta, a maioria esmagadora – 94,7% dos candidatos – afirmaram perceber demora. Já 66,3% relataram não receber retorno ao longo da seleção. Entre aqueles que recebem alguma devolutiva, 80,2% consideram as respostas genéricas ou pouco úteis.
Em uma escala de 0 a 5, a comunicação durante o processo recebeu nota média de 2,41, a mais baixa entre os aspectos avaliados na pesquisa. O resultado sugere que previsibilidade, clareza de etapas e consistência nas interações influenciam de forma relevante a percepção de organização e eficiência das empresas.
"A automação trouxe eficiência para o recrutamento, mas em muitos casos acabou reduzindo a qualidade da comunicação com os candidatos. Quando o processo depende excessivamente de respostas automáticas ou fluxos pouco personalizados, a percepção é de distanciamento e falta de retorno efetivo", afirma Victor Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub.
Além das falhas de comunicação, os participantes destacam aspectos relacionados à estrutura do processo. Formulários longos e repetitivos foram citados por 60,4% como fator de desgaste, indicando que etapas consideradas excessivamente burocráticas também contribuem para a insatisfação.
Em relação aos canais de busca, 74,9% dos participantes afirmam utilizar o LinkedIn para procurar vagas e 60,4% se candidatam pela própria plataforma. O tempo de candidatura também revela preferência por processos objetivos: 41,7% levam entre cinco e dez minutos para concluir a inscrição e 28,9% concluem em menos de cinco minutos.
No que diz respeito à comunicação, 59,9% indicam preferência por WhatsApp e 37,4% optam por e-mail, sinalizando demanda por interações mais rápidas e diretas ao longo do processo seletivo.
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