Doenças crônicas sob controle: o que um estudo com 80 mil pessoas ensina sobre saúde corporativa
Levantamento da Alice mostra que hipertensão e diabetes são bem mais controlados com acompanhamento contínuo
Mais de 4 milhões de trabalhadores brasileiros se afastaram por problemas de saúde em 2025, o maior volume desde 2021. É nesse contexto que as doenças crônicas ganham relevância para o RH: globalmente, 7 em cada 10 adultos com diabetes estão em idade ativa, segundo a International Diabetes Federation, e no Brasil, o diabetes cresceu 135% desde 2006 enquanto a hipertensão já atinge quase 30% dos adultos; condições que, sem gestão adequada, evoluem silenciosamente e impactam a produtividade.
Um levantamento da Alice com quase 80 mil pessoas analisadas ao longo de 2025 mostra como um modelo de gestão continuada da saúde pode mudar essa trajetória. Os números são expressivos: 69% das pessoas com hipertensão mantêm a pressão controlada, acima da média nacional de 54%. Entre diabéticos, 60% estão com a glicemia sob controle, e a taxa de internação foi três vezes menor que a média dos países da OCDE.
Para as empresas, esses números se traduzem diretamente: colaboradores com doenças crônicas mal controladas tendem a gerar mais afastamentos e queda de produtividade. Quando o cuidado funciona, esse ciclo se interrompe e o RH deixa de apagar incêndios para atuar de forma mais estratégica.
Cuidado antecipado
Grande parte desses resultados vem de uma mudança de lógica. Em vez de buscar ajuda apenas quando já está doente, o colaborador passa a ser acompanhado por um Médico de Família: profissional responsável por conhecer seu histórico, seus riscos de saúde e sua evolução ao longo do tempo. Esse vínculo contínuo permite identificar sinais precoces, ajustar tratamentos e orientar mudanças antes que a condição avance.
Quando necessário, esse médico coordena o acesso a especialistas, evitando que o cuidado fique fragmentado. No levantamento, mais de dois terços das consultas de pessoas com doenças crônicas aconteceram com esse profissional de referência, dado que reforça o impacto do vínculo e da regularidade no controle dos quadros.
"A saúde suplementar no Brasil tem um espaço enorme para evoluir e a principal alavanca dessa evolução é fazer a coordenação do cuidado, colocando as pessoas no centro. A Alice foi construída como um sistema de saúde. Atenção primária forte, tecnologia que integra dados clínicos e profissionais que acompanham cada pessoa ao longo do tempo. Com o Health Report, a gente quer mostrar o que esse modelo entrega e que é possível fazer saúde de um jeito diferente no Brasil", explica Matheus Moraes, cofundador e COO da Alice.
Resultados duradouros
Entre pessoas com diabetes, apenas 6% precisaram ser reinternadas em até 30 dias, menos da metade do piso estimado pela American Diabetes Association, de 14%. 83% realizaram exames de controle no último ano e 81% passaram por especialistas quando necessário. No caso da obesidade, 14% das pessoas reduziram mais de 5% do peso sem cirurgia, resultado acima dos 12% registrados nos EUA.
"O modelo da Alice funciona porque tem alguém responsável pela saúde de cada membro ao longo do tempo. O Médico de Família coordena, os especialistas entram quando precisam e a tecnologia conecta tudo. O prontuário eletrônico integra o histórico, identifica risco antes da complicação e dá ao profissional contexto e tempo para cuidar de verdade", ressalta Moraes.
A tecnologia amplia o alcance desse cuidado. O estudo traz ainda dados do uso de inteligência artificial para identificar e engajar mulheres com exames de câncer em atraso: um agente orienta e facilita o agendamento, e mais de 60% das mulheres elegíveis realizaram mamografia e papanicolau dentro do prazo recomendado, impactando diretamente na detecção precoce.
Uma nova lógica para o RH
Esse modelo vem sendo reconhecido globalmente: em março de 2026, a Alice foi eleita pela Fast Company a 11ª empresa de saúde mais inovadora do mundo, além de ter sido selecionada como Endeavor Outlier, programa global que reconhece empreendimentos de alto impacto. Ao consolidar esses dados, a operadora aponta uma mudança estratégica para empresas: sair de uma abordagem reativa, em que o cuidado começa quando o problema aparece, para um modelo capaz de acompanhar, orientar e intervir ao longo do tempo. Para lideranças de RH, essa mudança representa uma atuação mais próxima da prevenção real, com impacto direto na qualidade de vida dos colaboradores e na sustentabilidade das equipes
O estudo completo pode ser acessado aqui.








